07 Dec 2006
Missão como “Gospel”
No Brasil, a palavra, gospel, popularmente lembra dum estilo de apresentação e de música, um estilo de música bem animada com uma forte dosagem de louvor e uma apresentação realizada normalmente com muita gente. Mas muito antes da gente se interessar em apresentações e músicas tipo gospel, a palavra se referia a um anúncio de evento muito especial. E isso, por sua vez, tem tudo a ver com a missão da igreja.
Gospel é a palavra em inglês para “evangelho”, que traduz o termo latino, evangeliu, que, por sua vez, traduz a palavra grega no Novo Testamento, euangélion, que significa “boa nova” ou “anúncio notório”. Outra palavra no Novo Testamento relacionada é euangelízo, um verbo traduzido normalmente como “evangelizar”, mas que ao pé da letra significa “boa noticiar” ou “anunciar algo notório”. Por exemplo, no mundo antigo o “evangelho” era a proclamação do aniversário do César ou o anúncio da sua chegada triunfal em Roma com o desfile dos seus prisioneiros de guerra. Mas o apóstolo Paulo declarou aos romanos que “evangelho é o poder de Deus” (Romanos 1.16) e não de nenhuma autoridade humana, por maior que fosse. No Novo Testamento, o “evangelho” ou o gospel são as boas novas que Deus ressuscitou Jesus de entre os mortos. E o evangelismo ou a evangelização, no cerne, envolve o anúncio da intervenção de Deus na história humana, especificamente na ressurreição de Jesus de Nazaré duma morte por crucificação. Ao ressuscitar Jesus de entre os mortos, Deus inocentou um condenado, efetivamente estabelecendo não só a sua inocência, mas também a sua posição como Filho de Deus e realizador das promessas de Deus nas Escrituras para os judeus e para todas as etnias do mundo (Romanos 1.1-6). Portanto, o evangelismo possui essencialmente um caráter narrativo, promissório e histórico.
Primeiro, como anúncio, o evangelho é uma narração. É um relato feito por testemunhas e assim é uma atividade verbal e pessoal. Por isso no Novo Testamento a atividade evangelística que mais se sobressai é o testemunho verbal (Atos 5.32; 1Coríntios 15.5-11).
Segundo, mesmo sendo testemunho, o evangelismo não é meramente subjetivo, relativo à experiência de cada um. Baseia-se na realização histórica de promessas específicas feitas no Antigo Testamento a respeito dum novo período na história humana demarcada pela vinda do Messias. Estas promessas também se destacam no evangelismo (Atos 2.25-32; 3.18, 24; 1Coríntios 15.3-4).
Terceiro, além de ser um anúncio, o evangelho é pessoal no sentido de ser transmitido por pessoas transformadas pelos eventos narrados na mensagem proclamada, é também histórico. Por mais pessoal que seja, a mensagem possui um conteúdo essencial, sem o qual a mensagem não seria mais evangelística. E este conteúdo se refere à crucificação e à ressurreição duma pessoa, sendo um dado histórico (Atos 2.23; 5.30; 10.39; 13.29; Deuteronômio 21.22-23; Gálatas 3.10-13; 1Pedro 2.24). Este caráter histórico e verificável completa a nossa definição das três características necessárias do evangelismo: é um anúncio de promessas divinas realizadas na morte e na ressurreição de Jesus de Nazaré, agora proclamado Jesus Cristo.
Embora muitas atividades e diversos ministérios façam parte da obra missionária da igreja, é importante lembrar que no coração da missão está o evangelho, o anúncio da ressurreição por Deus de Jesus duma morte por crucificação. A “Grande Comissão”, em cada um dos cinco Evangelhos, segue imediatamente a ressurreição e por isso essencialmente envolve este anúncio, vivenciado na vida dos discípulos de Jesus como a realização das promessas de Deus para o mundo que Ele tanto ama.
original publicado em agosto 2005 na revista, Atual Gospel
