21 Dec 2006
Missão como democracia?
Recentemente li o livro de Thomas Cahill, Velejando o mar escuro cor de vinho. Porque os gregos são importantes, o quarto duma coleção entitulada, A história não-contada (publicado em inglês em 2003 e ainda inedito em português, os outros três volumes, sobre o impacto dos irlandêses, os judeus, e os cristãos respectivamente já foram traduzidos). Ele conta como logo no início do século VI antes de Cristo, a cidade-estado de Atenas realizou a primeira experiência na democracria que terminou somente nas últimas décadas do século IV antes de Cristo com a vinda de Alexandre o Grande. Embora o ideal da democracia que conhecemos hoje tem as sua origens mais antigas neste experimento, hoje a nossa herança é mais vinculada aos ideais da Revolução Francesa influenciada pelos valores do iluminismo e frutificada na democracia americana. Pois bem, mas o que é a democracia e o que tem a ver com a missão da igreja? Vamos considerar brevemente cada uma destas perguntas.
A democracia simples é o governo pelo povo. Como issto se estabelece varia de lugar em lugar e de época em época. O ideal democrático da Revolução Francesa, por exemplo, estabeleceu a separação dos poderes, a representatividade política, a liberdade individual e a limitação do poder público e do multipartidarismo, ideais que permanecem conosco até hoje. Talvez um dos valores fundamentais da democracia é a idéia da participação ampla da sociedade baseada no conceito da igualidade de todas as pessoas. Este último certamente tem fortes raízes no ensino bíblico de modo geral. A questão da participação ampla já é mais complicada por causa do conceito cristão de autoridade vinculada à revelação e vocação. Mesmo assim, e certamente influenciados tanto pelos ideais iluministas quanto por um alto desconfiança no sistema hierárquica de governo católico, portestantes tem buscado, em maior ou menor escala, promover a maior participação possível dos seus membros das atividades e até no poderes das suas igrejas. Hoje em dia, a ênfase nos dons e talentos de todos os membros, contribue para esta boa tendência. Participação, sim. Afinal, estamos mais que atrasados na promoção do sacerdócio de todos os santos, ideal da reforma protestante.
O.k. Mas o que isto não significa? Enquanto procuramos plena participação na condução do povo de Deus, não significa que a autoridade para tal ação reside ou no grupo, nem numa representação do grupo, e nem em um indivíduo que governo sobre eles. Ao estabelecer o critério de sola scriptura o movimento protestante desautorizou qualquer e toda autoridade ou tradição humana, independentemente da sua representação, de ter a palavra final. Não desautorizou de ter uma palavra de autoridade, apenas não a palavra final. Sempre para o cristão, a primeira e a última palavra estão com Deus conforme se revelou nas Sagradas Escrituras. Isto nos leva à segunda pergunta acima: o que isso tem a ver com a missão da igreja?
Em primeiro lugar e ao pé da letra, o primeiro e o último versículo das Sagradas Escrituras, em termos cronológicas, são:
No começo Deus criou os céus e a terra — Gênesis 1.1
E a graça do Senhor Jesus esteja com todos — Apocalipse 22.21
Meu grifo destaca a preocupação universal de Deus desde o início até o final da Sua revelação. Além desta observação de prioridade e finalidade cronológica, não é difícil entender que também teologicamente a preocupação do Criador nas Escrituras é de recuperar a Sua criação. E para isso, chamou um povo para Si que amplamente participa do Seu plano de resgatar o mundo, especialmente por divulgar o meio, a redenção em Jesus, que Ele designou para efetuar este propósito. Por isso á missão é democrática na sua execução, mesmo que não seja na base da sua autoridade.
Tudo isso me parece tão óbvio para o leitor atencioso das Escrituras. Porque temos tanto dificuldade de aceitar e viver este desafio?
original publicado em junho/julho de 2006 na revsta, Atual Gospel

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I just discovered Tim Carriker has begun blogging about the church and mission . While I don’t know Tim