Aquivo para a categoria 'fé'

Mar 22 2008

Fé e Ciência: gêmeas amigas, ou inimigas?

Publicado por Timóteo Carriker na categoria

O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Como os divórcios são caraterizados por brigas, mal entendidos, rotulações preconceituosas ou até mesmo xingações dos dois lados, também a ciência e a teologia sofrem de grande dificuldade de comunicação. Além disto, com o amadurecimento da ciência, cresce a convicção popular que a ela pertence o campo de fatos enquanto à religião pertence o campo de valores. Curiosamente ao campo de fatos se aplica a regra de singularidade e dogma. Isto é, a respeito de determinado fenômeno, cientificamente falando, os fatos são únicos, e uma vez estabelecidos, se tornam dogmas. O inverso ocorre na percepção do papel da religião para quem é relegado campo de valores. Estes valores, não como fatos, são múltiplos e por isso culturalmente não devem ser entendidos como dogmas universais, apenas do gosto do freguês. Continue lendo… »

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Apr 03 2007

A inspiração e autoridade das Escrituras: uma perspectiva missiológica

Uma das “reformas” mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), sola Scriptura, era o anúncio inequívoco da suprema autoridade e plena inspiração da Bíblia e, ao mesmo tempo, uma denúncia da autoridade da tradição eclesiástica que se colocava no mesmo pé de igualdade com as Escrituras. O discurso reformado a respeito das Escrituras foi tão marcante que surtiu vários efeitos significantes. Por exemplo, transformou o conceito e a ordem da liturgia cristã. Com a ênfase no sola Scriptura destacava-se a pregação da Palavra, ao invés da celebração da ceia como na missa católica. Também a ênfase na autoridade suprema das Escrituras contribuiu para mudanças no governo da igreja. E assim as igrejas reformadas se distanciaram dum sistema de governo estreitamente hierárquico. É possível dizer que o respaldo de sola Scriptura despertou um novo interesse na exegese e menor interesse na dogmática ou na teologia histórica que, até hoje, são exploradas mais no meio católico (talvez os nossos teólogos discordem comigo!). Além destas transformações inteiras, a doutrina da autoridade e inspiração da Bíblia influenciou significantemente até mesmo na organização social e cultural dos povos mais atingidos pela Reforma Protestante. Por exemplo, por valorizar a leitura, foram especialmente os protestantes, por meio do movimento missionário, que promoveram cada vez mais a alfabetização, o ensino popular e até mesmo a ciência. Também contribuiu para o nascimento e promoção dos conceitos democráticos de governo. Logo a “reforma” no conceito das Escrituras foi incalculável dentro e fora da igreja, e permenece um dos assuntos mais importantes no meio evangélico.

Por isso mesmo, resolvi escrever sobre este assunto sob uma nova ótica, a da missiologia. A missiologia, diferente da teologia, é uma reflexão dinâmica a partir da tarefa da igreja no mundo. Disto, eventualmente nasce a sua filha, a teologia, que procura sistematizar as reflexões missiólogicas além do seu contexto original e aplicá-las de modo mais geral. A reflexão que encontramos no Novo Testamento, por exemplo, é “missiológica”. Podemos também chamá-la de teologia de praxis. Foram os apologistas dos séculos posteriores que produziram as primeiras “teologias” como conhecemos hoje, em forma mais sistemática. Continue lendo… »

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Feb 14 2007

BRASIL: A opção pelos convertidos

Publicado por Timóteo Carriker na categoria

Acabei de receber o seguinte relatório sobre o perfil mutante do protestantismo brasileiro. Os números são impressionantes, mesmo que a interpretação do significado é discutível:

SÃO PAULO, 13 de fevereiro (ALC) – O neopentecostalismo é uma religião que colou nos mais pobres, não como uma opção pelos excluídos, como fez a Igreja Católica, mas para convertê-los. O resultado é que uma dessas denominações, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), experimentou o estrondoso crescimento de 681,5% no número de fiéis, de 1991 a 2000.

No mesmo período, as demais igrejas evangélicas cresceram, juntas, 98,5%, os católicos aumentaram 2,5%, bem abaixo da taxa de crescimento da população brasileira, que foi de 15,7%. A análise é do sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Flávio Pierucci, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no sábado, 11 de fevereiro. Continue lendo… »

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