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	<title>Fé e Missão &#187; fé</title>
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	<description>Reflexões sobre o engajamento bíblico e missionário da igreja</description>
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		<title>Fé e Ciência: gêmeas amigas, ou inimigas?</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 00:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
				<category><![CDATA[fé]]></category>

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		<description><![CDATA[O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Como os divórcios são caraterizados por brigas, mal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Como os divórcios são caraterizados por brigas, mal entendidos, rotulações preconceituosas ou até mesmo xingações dos dois lados, também a ciência e a teologia sofrem de grande dificuldade de comunicação. Além disto, com o amadurecimento da ciência, cresce a convicção popular que a ela pertence o campo de fatos enquanto à religião pertence o campo de valores. Curiosamente ao campo de fatos se aplica a regra de singularidade e dogma. Isto é, a respeito de determinado fenômeno, cientificamente falando, os fatos são únicos, e uma vez estabelecidos, se tornam dogmas. O inverso ocorre na percepção do papel da religião para quem é relegado campo de valores. Estes valores, não como fatos, são múltiplos e por isso culturalmente não devem ser entendidos como dogmas universais, apenas do gosto do freguês.<span id="more-11"></span></p>
<p>Digo isso a princípio só para ilustrar a dificuldade de intercâmbio que historicamente existe entre estes dois paradigmas. Uma uma parábola vai ajudar (a primeira regra da teologia é se não souber da resposta, conte uma parábola!).</p>
<p>Em julho de 1979, na famosa universidade, Massachusetts Institute of Technology na cidade de Cambridge, Massachusetts, igrejas do mundo inteiro, protestantes, católicos romanos e católicos ortodoxos, se-reuniram (com o apoio do Concílio Mundial de Igrejas) para discutir o tema, &#8220;Fé e ciência num mundo injusto&#8221;. O astrônomo australiano eminente, Robert Hanbury Brown, foi convidado para dar início à conferência com uma definição da ciência e uma interpretação da sua natureza. Dois dos seus temas eram especialmente interessantes.</p>
<p>Começando com uma definição clássica, ele descreveu como a &#8220;industralização&#8221; da ciência &#8211; sua aliança com instituições políticas e econômicas &#8211; modificou a compreensão clássica como uma busca pela verdade objetiva e verificável. Mesmo assim, como o bom cientista que é, Brown afirmou a importância da objetividade e a verifiabilidade para toda tarefa científica.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Brown enfatizou que os conceitos científicos são metáforas e abstrações relacionadas a uma realidade essencialmente misteriosa. Disse ainda, que dentro da própria ciência, há metáforas e abstrações diferentes que podem ser consideradas &#8220;complimentares&#8221; e não antagônicas. Com base neste último ponto, ele argumentou que uma ciência devidamente modesta e a fé podem ser vistas como respostas complimentares aos mistérios últimos da existência.</p>
<p>Depois da palestra de Brown, havia duas reações convidadas. Uma veio duma cientista africana, Matu Maathai, que era basicamente uma aprovação entusiástica da ciência, mesmo com algumas ressalvas a respeito do perigo do abuso da ciência no terceiro mundo, especialmente para o aumento de armas de destruição.</p>
<p>A segunda reação veio dum teólogo e filósofo social brasileiro, Rubem Alves, então professor  da UNICAMP e atualmente psicanalista e meu vizinho do lado da minha casa. Típico do espírito brasileiro poético e brincalhão, Rubem Alves deu sua resposta contando a seguinte estória:</p>
<blockquote><p>Era uma vez um cordeiro, que amando o conhecimento objetivo, resolveu descobrir a verdade sobre os lobos. Já sabia de muitos contos ruins sobre os lobos. Eram verdadeiros? Resolveu investigar de primeira mão. Então ele escreveu uma carta para um lobo filósofo com uma pergunta simples e direto: O que é um lobo? O lobo filósofo respondeu a carta explicando o que os lobos são: seus formatos, seus tamanhos, suas cores, seus hábitos sociais, seu pensamento, etc. Pensou, entretanto, que era irrelevante falar dos seus hábitos alimentícios já  que tais hábitos, de acordo com a própria filosofia do lobo filósofo, não pertenciam à essência dos lobos. Pois bem, o cordeiro ficou tão impressionado com a carta que resolveu fazer uma visita na casa do seu novo amigo, o lobo. Foi somente então que aprendeu para sua infelicidade que os lobos têm uma fraqueza por churrasco de cordeiro.</p></blockquote>
<p>Seria fácil confundir as personagens da parábola de Rubem Alves. Poderia imaginar que para ele, o lobo representa o cientista puro e o cordeiro o religioso. Também não seria difícil imaginar o contrário. Mas o próprio Dr. Alves explica: o lobo somos todos nós que pretendemos nos definir com objetividade e distância pessoal. Os lobos são os cientistas, religiosos, políticos, economistas e até professores universitários. Entretanto o tom bastante negativo de Alves ilustra a difícil relação entre a ciência e a religião. Esta relação tênua tem uma longa história que não dá para relatar adequadamente aqui. Mas é um relacionamento que não precisa ser, e não é o único relacionamento possível. Gostaria de propor um outro, não de incompatibilidade entre lobo e cordeiro, mas do <em>desconhecimento mútuo entre dois gêmeos que são criados separadamente</em>.</p>
<p>Já aparece nas reportagens na televisão: dois gêmeos, ou duas gêmeas que eram separados logo depois do nascimento se encontram décadas depois. A alegria é enorme, mas na própria reportagem dá para perceber que os dois já são bem diferentes, devido a influência não só de fatores psicológicos que levam quaisquer irmãos, gêmeos ou não, a terem suas próprias personalidades, mas também devido a criação em contextos totalmente diferentes que os gêmeos sofrearam. Talvez eu esteja exagerando na analogia, mas <em>prefiro ver a fé e a ciência como gêmeos criados separados.</em> Deveriam ter mais em comum do que de fato têm, não idênticos, pela mesma razão que gêmeos idênticos não são idênticos na sua personalidade. Faço esta fantástica afirmação que <em>a fé, certamente a fé cristã, literalmente começa e termina com uma preocupação cosmológica,</em> uma preocupação que normalmente relegamos a ciência. Enquanto isso, <em>a ciência sem dúvida está fazendo perguntas cada vez mais teleológicas e estéticas</em>, que se refere à finalidade e a beleza da realidade conhecível.</p>
<p><strong>A prioridade cosmológica da fé bíblica</strong></p>
<p>A <em>fé, </em>pelo menos a fé bíblica, <em>não é de maneira alguma, contra a ciência</em>. Pelo contrário, do ponto de vista teológica, <em>a fé incentiva e exige a ciência</em> no que se refere geralmente de qualquer busca pela verdade e no que se refere especificamente da incumbência humana de classificar, compreender, e explicar abstratamente a natureza (Gênesis 2.19-20).</p>
<p><strong>1. A busca da verdade</strong><br />
(Salmo 25.1-5; Provérbios 1.7; 2.1-6; 23.23; Daniel 2.20-21; João 14.6; Romanos 12.1-2; Filipenses 4.8)</p>
<p>Paul Tillich definiu uma vez a religião como qualquer &#8220;procupação última&#8221; que alguem tenha. Assim foi além das definições tradicionais que restringia a religião ao campo do místico, ou do sobrenatural. Mesmo com esta definição ampla de Tillich, não é difícil associar a fé bíblica com uma preocupação com o divino. Interessantemente as Escrituras antigas fazem uma nítida ligação entre o divino e a verdade. Em João 14.6, Jesus alega ser a verdade, não só saber ao seu respeito, mas de ser a verdade. Não estava inovando. No Antigo Testamento já dizera que o conhecimento (<em>daath</em>) pertence a Deus (1 Samuel 2.3). E onde a sabedoria é personificada, ela adquire caraterísticas divinas. Alías, em Provérbios 1-8 ela é ao mesmo tempo personificada e divinizada. Agora, é importante esclarecer que a afirmação teológica &#8220;Deus é a verdade&#8221;, deve ser entendido inclusivamente, não exclusivamente. Não é uma negação da ciência. Pelo contrário, é uma afirmação de tudo na ciência e em qualquer paradigma humana <em>que é verdadeiro</em>. Quem busca a Deus, busca a verdade. E quem de fato busca a verdade, está no caminho a Deus, mesmo que não intencionalmente, quer seja teísta, deísta ou ateu. Portanto a fé, pela sua busca pela verdade e de modo geral, incentiva e exige a ciência.<br />
<strong><br />
2. A incumbência científica</strong></p>
<p>Também especificamente a fé cristã, nas primeiras páginas da sua constituição, a Bíblia, começa com uma preocupação cosmológica: &#8220;no princípio criou Deus os céus e a terra.&#8221; E nas suás últimas páginas lemos da recriação dos mesmos. Os diversos relatos da Bíblia sobre o início do universo (só em Gênesis há duas versões logo no início e há outras nos salmos, nos profetas e também no Novo Testamento) demonstram um interesse nos elementos da natureza em si e por si só que em muito supera o interesse que se encontra nos escritos teológicos e que em muito coincide com as descrições científicas.</p>
<p>Agora esta última frase, &#8220;a preocupação bíblica&#8230;em muito coincide com as descrições científicas&#8221; precisa de explicação. Duas observações quanto à linguagem não científica da Bíblia e o papel de auxílio que ciência presta para uma leitura retrospectiva da Bíblia.</p>
<p>Primeiro, tem havido verdadeiras revoluções a partir do fim do século passado e especialmente nas últimas duas décadas sobre métodos de interpretação da Escrituras. Alguns métodos são mais controvertidos que os outros. Mas de grosso modo tem havido uma compreensão e apreciação cada vez mais dos meios culturais e historicamente limitados da composição literária dos diversos livros da Bíblia. Sem necessariamente abrir a mão da autoridade das Escrituras (alguns abrem, outros não), e baseado na analogia da encarnação do divino no ser humano Jesus, e francamente com o auxílio do desenvolvimento da antropologia cultural e social, os teólogos começam a apreciar e dar espaço cada vez mais para a expressão de verdades divinas através de forças de expressão culturalmente influenciadas. Talvez para muitos de vocês estou falando o óbvio. Mas para outros não é tão óbvio. Por exemplo, se Davi não era o pai de Jesus, por que Jesus é chamado constantemente &#8220;filho de Davi&#8221;? A resposta é simples: a palavra &#8220;filho&#8221; (<em>ben</em>) em hebraico se refere à descendência, não apenas filiação imediata. Semelhantemente o arranjo de eventos na vida de Jesus varia entre os Evangelhos simplesmente porque aqueles que relataram os eventos &#8211; Mateus, Marcos, Lucas, e João &#8211; não seguiram, por razões óbvias, a metodologia da historiografia moderna e ocidental. Escreveram dentro das normas culturais da sua época e a inspiração divina veio através de tão humanidade, não ultr-passando-a.</p>
<p>Tendo isto em vista, volto a afirmação anterior: &#8220;a preocupação bíblica, <em>dentro da linguagem bíblica</em>, &#8230;em muito coincide com as descrições científicas&#8221; Por exemplo, Gênesis fala do surgimento de toda a raça humana, não apenas dum indivíduo. A palavra, &#8220;Adão&#8221; significa simplesmente &#8220;ser humano&#8221; e é uma derivação da palavra &#8220;terra&#8221;, de onde o ser humano surgiu. Não é isto a perspectiva científica: que a raça humana se constitue dos mesmos elementos da terra?</p>
<p>Em segundo lugar, a perspectiva bíblica, nem sempre a mesma dos teólogos, não se restringe à criação da terra, muito menos da raça humana, mas começa numa escala mais abrangente, a criação do universo. E apesar de tudo que alguns cristãos bem intencionados dizem, a linguagem hebraico a respeito dos &#8220;dias&#8221; da criação não só permite mas exige o conceito de períodos longos, não somente de 24 horas (como já acreditavam os pais da igreja: Irineu, Orígenes, Basil, Agostinho nos primeiros séculos (1-5), e Tomás Aquinas no século 13, certamente não sob a influência da modernidade). Dentro do campo semântico da palavra, yom, está o cnceito de períodos. Só para dá um exemplo, pelo menos mil anos depois do relato da criação, o autor de Hebreus no Novo Testamento, disse que podemos entrar no descanso de Deus, a nomenclatura do sétimo dia da criação, dia este no qual ainda passamos conforme o autor de Hebreus.</p>
<p>Em terceiro lugar, todos os relatos da criação na Bíblia pressupõem um alto grau de <em>ordem </em>num relacionamento dinâmico com o <em>caos </em>(Josué 10.12; Juízes 5.20; Gênesis 49.25; Êxodo 15.8,11; Números 16.30; Deuteronômio 33.14ss; Jeremias 31:35-36 e Salmo 29 e 8). A construção ordeira da criação sobressai em Provérbios 8.22-36 como a arquitetura da sabedoria personificada. Também, a ordem é imediatamente evidente no relato de Gênesis 1 da ação inicial de Deus sobre e contra todo o caos (compare Gênesis 1.2 com Isaías 45.18!). Essa ordem, ou subordinação da criação, continuamente recebe destaque em vários salmos, especialmente Salmo 18.7-15. Hoje, as teorias de caos e especialmente de complexidade (fenômenos de estudo interdisciplinar) confirmam esta relação necessária para o surgimento de sistemas complexos (talvez a relação entre a entropia e as forças kenéticas ilustre este ponto).</p>
<p>Antigamente, os teólogos tinham basicamente duas opções para a interpretação do relato cosmológico de Gênesis 1 e 2. Alguns trataram os relatos de Gênesis 1 e 2 como pura invenção sem nenhuma relação com acontecimentos históricos. Isto parecia-lhes a única solução a tantas incompatibilidades com a ciência moderna. Outros estudiosos, no intuito de ser fiel a autoridade das escrituras, forçam uma seqüência restritamente cronológica nos relatos propondo interpretações cada vez mais fantásticas e inacreditáveis.</p>
<p>Hoje, com a lições da antropologia, é mais fácil descartar estas duas interpretações tão preocupadas com a cronologia (ou pela sua negação ou pela afirmação) ambas partindo de conceitos contemporâneos e ocidentais do tempo e da história, em contraposição aos conceitos hebraicos antigos. Nos relatos da criação, Israel não estava interessado na natureza física da criação em si, como nós hoje em dia procuramos entender pela ciência natural a origem das coisas. Para Israel, o relato da criação era importante à medida que explicava <em>seu </em>relacionamento com o plano de Deus, para este mundo todo. Isto é, devemos entender os relatos não cronológicamente mas <em>topicamente</em>, o tópico sendo o propósito de Deus para a sua criação, ou mais precisamente, o reino de Deus.</p>
<p>Desta perspectiva, Deus primeiro cria três grupos básicos de <em>reinos</em>, ou domínios, durante os primeiros três dias. Nos próximos três dias, Deus cria os <em>reis </em>para governarem nos reinos, anteriormente criados. O último rei a ser designado (constituindo a primeira Grande Comissão!) é o homem, que recebe o mandato representativo e real como governador-administrador sobre todos os outros reis e reinados. Por representativo, quer dizer que a humanidade foi criada por Deus à sua imagem (<em>çelem</em>) e semelhança (<em>dêmûth</em>), isto é, segundo a sua espécie (Gênesis 1.26,11).</p>
<p>O importante no relato, então, é ressaltar o <em>propósito </em>da criação do homem, e não tanto a <em>forma </em>que assumiu. Semelhantemente, o relato se importa mais com o propósito do resto da criação, do que com a forma e com a natureza desta origem em si, sendo estas últimas, preocupações da ciência moderna.</p>
<p>Dentro do esquema apresentado a humanidade tem um chamamento representativo para <em>reinar como Deus reina</em>. Por esta razão, o ser humano é não somente o servo do Senhor, como também representante dele. Assim como Deus faz, o representante deveria fazer, refletindo as características do Criador. Nisto, a realeza e o domínio de Deus são refletidos no domínio e na administração apropriados da humanidade sobre a criação. A função que a imagem de Deus no ser humano tem, portanto, é exatamente o que o texto bíblico elabora em Gênesis 1.28, &#8220;ter domínio&#8221; (<em>râdhâh</em>) e &#8220;sujeitar&#8221; (<em>kôbhash</em>) a terra. Isto é o seu status como senhor no mundo. Deus coloca a humanidade no mundo como sinal da sua soberania. E de acordo com Gênesis 2.19-20, esta soberania é exercida pela incumbência (divina) de classificar, compreender, e explicar abstratamente a natureza. A incumbência e o destino do ser humano estão ligados ao universo e vice versa (Romanos 8.19-21).</p>
<p>O Salmo 8 concorda com este conceito de Gênesis 1 de que a humanidade realiza sua comissão como rei do reino terrestre, assim como Deus é Rei do reino celeste, e o status do ser humano sendo por um pouco menor do que Deus. Daniel Thambyrajah Niles, teólogo e missionário indiano ilustra esta relação da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>O homem é a única criatura que Deus fez cujo ser não está em si mesmo, e que por si mesmo não é nada. A &#8220;canicidade&#8221; do cão está no cão, mas a &#8220;humanidade&#8221; do homem não está no homem. Está na sua relação com Deus. O homem é homem porque reflete Deus, e somente quando ele assim o faz [tradução] (1958:60-61).</p></blockquote>
<p>O ser humano é <em>homo Dei</em>, ou está aquém da sua própria humanidade. As implicações desta incumbência divina do ser humano para a tarefa da ciência são grandes. Repare, por exemplo, que tal incumbência é da essência da humanidade, e não um derivado da sua salvação. Pois em Gênesis 1 e 2 não se fala da salvação simplesmente porque não havia ainda a queda. A queda aparece somente no capítulo 3. Novamente afirmo: a incumbência divina para governar o mundo natural especialmente através da sua classificação nominal das suas diversas partes (sem dúvida a ciência é campião na fabricação de palavrões!) É da essência de toda a humanidade, não só dos religiosos. Precede a queda. Aliás, mesmo depois da queda a incumbência permanece em pé (Gênesis 9.1-7). Na teologia esta incumbência comum é denominada &#8220;graça comum&#8221; ou &#8220;revelação comum&#8221; e se distingui da &#8220;graça especial&#8221; pela salvação, ou a &#8220;revelação especial&#8221; através das Escrituras. Só que &#8220;especial&#8221; não significa que a revelação é verdadeira que a revelação comum (por exemplo, através da ciência). A qualificação, &#8220;especial&#8221;, se refere ao meio da revelação &#8211; as Escrituras &#8211; não a sua qualidade.</p>
<p><strong>O interesse estético e teleológico da ciência</strong></p>
<p>Acima usei a analogia de gêmeos criados separadamente para descreve a relação entre a ciência e a fé. Disse que a fé, certamente a fé cristã, literalmente começa e termina com uma preocupação cosmológica, uma preocupação que normalmente relegamos a ciência e elaborei um pouco sobre isso. Também disse que a ciência está fazendo perguntas cada vez mais teleológicas e estéticas, que se refere à finalidade e a beleza da realidade conhecível, perguntas que geralmente relegamos à religião. Já que tal afirmação foge da minha competência profissional, não vou arriscar uma elaboração deste ponto. Vou apenas ilustrá-lo através de alguns cientistas mundialmente conhecidos e respeitados.</p>
<p>Primeiro, algumas citações do astrônomo John Barrow (co-autor com Frank Tipler do livro que elabora o princípio cosmológico antrópico), no seu livro, <em>The Artful Universe</em> (Oxford: Oxford University, 1995):</p>
<blockquote><p>da contra-capa: &#8220;incrivelmente, descobrimos que algumas das propriedades do Universo que são esseciais para a existência de qualquer forma de vida fazem um papel chave na determinação de respostas psicológicas e religiosas para o Cosmos.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página viii: &#8220;a fascinação científica com o fruto da complexidade organizada em todas as suas formas deveria levá-los às artes criativas aonde se encontra m exemplos extraordinários de precisão estruturada.&#8221;</p></blockquote>
<p>Segundo, John Holland, um dos maiores matemáticos e simuladores de inteligência no cumputador de MIT, no seu livro, <em>Hidden Order: How Adaptation Builds Complexity</em> (Reading, Massachusetts: Addison-Wesley, 1995):</p>
<blockquote><p>Página 146: &#8220;a construção de modelos é a arte de selecionar aqueles aspectos dum processo que são revelantes para a pergunta sendo feita&#8230;esta seleção é guiada por gosto, por elegância e por metáfora; é uma questão de indução ao invés de dedução. A alta ciência depende desta arte.&#8221;</p></blockquote>
<p>Terceiro, o prêmio nobel, Steven Weinberg, no seu livro, <em>Dreams of a Final Theory</em> (New York: Pantheon Books, 1992):</p>
<blockquote><p>Página 17: &#8220;o progresso na física é frequentemente guiado por julgamentos que somente podem ser chamados de estéticos&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 98: &#8220;acredito que a aceitação geral da relatividade geral se deve em grande parte à atração da teoria em si &#8211; em síntese, à sua beleza.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 104: &#8220;cientistas e historiadores da ciência já há muito tempo desistiram da perspectiva antiga de Francis Bacon, que as hipóteses científicas deveriam se desenvolver pela observação patente e sem preconceito da natureza.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 149: &#8220;não somente nosso julgamento estético é um meio para chegar às explanações científicas e julgando sua validade &#8211; f<em>az parte daquilo que queremos dizer por uma explanação</em>.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 219: &#8220;o alvo da física no seu nível mais fundamental não é somente descrever o mundo mas <em>explicar </em>por que ele é do jeito que é.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Portanto é tanto pelo interesse científico &#8211; explicar por que o mundo é do jeito que é &#8211; quanto pelo interesse da fé bíblica &#8211; que de grosso modo incentiva e apoia a investigação cientifica, que prefiro ver a fé e a ciência como gêmeos, ou para diminuir o exagero, pelo menos como irmãos. Mas ainda não falamos dos métodos e muito menos das conseqüências dos dois paradigmas que tanto os distinguem. Quem sabe, tanto Rubem Alves quanto eu, no fim, temos a razão e devemos ver os agentes da fé e da ciência, isto é os religiosos e os cientistas como lobos gêmeos, embora criados separadamente.</p>
<p><strong>Passagens bíblicas para meditação:</strong></p>
<ul>
<li>Salmo 25.1-5</li>
<li>Provérbios 1.7; 2.1-6; 23.23</li>
<li>Daniel 2.20-21</li>
<li>João 14.6</li>
<li>Romanos 12.1-2</li>
<li>Filipenses 4.8</li>
</ul>
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		<slash:comments>3</slash:comments>
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		<item>
		<title>A inspiração e autoridade das Escrituras: uma perspectiva missiológica</title>
		<link>http://missao.info/2007/04/03/a-inspiracao-e-autoridade-das-escrituras-uma-perspectiva-missiologica/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Apr 2007 12:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
				<category><![CDATA[fé]]></category>
		<category><![CDATA[liderança]]></category>
		<category><![CDATA[recursos  missionários]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das &#8220;reformas&#8221; mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), sola Scriptura, era o anúncio inequívoco da suprema autoridade e plena inspiração da Bíblia e, ao mesmo tempo, uma denúncia da autoridade da tradição eclesiástica que se colocava no mesmo pé de igualdade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das &#8220;reformas&#8221; mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), <em>sola Scriptura</em>, era o <em>anúncio</em> inequívoco da suprema autoridade e plena inspiração da Bíblia e, ao mesmo tempo, uma <em>denúncia </em>da autoridade da tradição eclesiástica que se colocava no mesmo pé de igualdade com as Escrituras. O discurso reformado a respeito das Escrituras foi tão marcante que surtiu vários efeitos significantes. Por exemplo, transformou o conceito e a ordem da liturgia cristã. Com a ênfase no <em>sola Scriptura</em> destacava-se a pregação da Palavra, ao invés da celebração da ceia como na missa católica. Também a ênfase na autoridade suprema das Escrituras contribuiu para mudanças no governo da igreja. E assim as igrejas reformadas se distanciaram dum sistema de governo estreitamente hierárquico. É possível dizer que o respaldo de <em>sola Scriptura</em> despertou um novo interesse na exegese e menor interesse na dogmática ou na teologia histórica que, até hoje, são exploradas mais no meio católico (talvez os nossos teólogos discordem comigo!). Além destas transformações inteiras, a doutrina da autoridade e inspiração da Bíblia influenciou significantemente até mesmo na organização social e cultural dos povos mais atingidos pela Reforma Protestante. Por exemplo, por valorizar a leitura, foram especialmente os protestantes, por meio do movimento missionário, que promoveram cada vez mais a alfabetização, o ensino popular e até mesmo a ciência. Também contribuiu para o nascimento e promoção dos conceitos democráticos de governo. Logo a &#8220;reforma&#8221; no conceito das Escrituras foi incalculável dentro e fora da igreja, e permenece um dos assuntos mais importantes no meio evangélico.</p>
<p>Por isso mesmo, resolvi escrever sobre este assunto sob uma nova ótica, a da missiologia. A missiologia, diferente da teologia, é uma reflexão dinâmica a partir da tarefa da igreja no mundo. Disto, eventualmente nasce a sua filha, a teologia, que procura sistematizar as reflexões missiólogicas além do seu contexto original e aplicá-las de modo mais geral. A reflexão que encontramos no Novo Testamento, por exemplo, é &#8220;missiológica&#8221;. Podemos também chamá-la de teologia de praxis. Foram os apologistas dos séculos posteriores que produziram as primeiras &#8220;teologias&#8221; como conhecemos hoje, em forma mais sistemática.<span id="more-83"></span></p>
<p>O que diremos, pois, da autoridade e inspiração das Escrituras, duma perspectiva missiológica? Primeiro, lembramos duma importante distinção teológica dos reformadores. Entenderam que todas as três afirmações básicas da Reforma, <em>sola Scriptura</em> (somente as Escrituras), <em>sola gratia</em> (somente a graça), e <em>sola fidei</em> (somente a fé), devem ser subordinadas à afirmação maior de <em><strong>solus Christus</strong></em>. Por isso queriam dizer que, sem um encontro vivo com Cristo, não se ouve as Escrituras com a devida inspiração e autoridade divinas porque Cristo é quem se dirije a nós pela leitura da Bíblia. Também, não experimentamos a graça de Deus, senão, somente pela eficácia da morte e ressurreição de Cristo, e somente dele nasce a nossa fé. É bom ressaltar esta distinção hoje, porque põe a discussão a respeito das Escrituras no seu devido lugar mais pessoal e menos abstrato, um lugar que ao meu ver, tanto <em>intensifica </em>a sua importância quanto a <em>dinamiza</em>.</p>
<p><em>Intensifica </em>porque se Cristo nos fala de modo especial através das Escrituras, a sua autoridade e inspiração aumentam. <em>Dinamiza </em>porque tal inspiração e autoridade se mostra muito mais pessoal e relacional que abstrata, estática e mecânica. Afinal, a linguagem das Escrituras a seu próprio respeito não é uma linguagem altamente pessoal e relacional?  Veja, por exemplo, as seguintes afirmações bíblicas do salmista:</p>
<ul>
<li>Com a sua palavra Deus veio curá-los e livrou-os da morte! (Salmo 107.20)</li>
<li>Como é doce o gosto das tuas palavras; é mais doce do que o mel! (Salmo 119.103) &#8230; Antes de me teres punido, andava errado; mas agora obedeço à tua palavra. (v.67) &#8230; Com ânsia espero que me salves; pois pus a minha esperança na tua palavra!  Os meus olhos anseiam por ver cumprida a tua palavra e eu pergunto: &#8220;Quando virás dar-me conforto?&#8221; (vv. 81-82) &#8230; A tua palavra é o farol que me guia; é a luz do meu caminho.  Fiz um juramento e vou cumpri-lo: porei em prática os teus justos decretos. (vv.105-106) &#8230; Tu és quem me ampara e me protege; na tua palavra pus a minha esperança. (v.114)</li>
<li>Com toda a minha alma espero o Senhor e confio na sua palavra. (Salmo 130.5)</li>
</ul>
<p>A resposta apropriada e igualmente pessoal do seguidor de Deus somente pode ser uma de plena e alegre obediência, sem diminuir ou acrescentar uma só palavra (Deuteronômio 4.2).</p>
<p>Mas mesmo com esta dimensão altamente experimental, são muitas descrições da <em>qualidade </em>em si das Escrituras. A &#8220;essência&#8221; da Palavra de Deus se descreve tipicamente com qualificativos superlativos, tais como:</p>
<ul>
<li>&#8220;perfeita&#8221;, &#8220;fiel&#8221; e &#8220;sábias&#8221; (Salmo 19.8)</li>
<li>&#8220;justas&#8221;, &#8220;claras&#8221;, e esclarecedoras&#8221; (Salmo 19.9)</li>
<li>&#8220;boas&#8221;, &#8220;permanentes&#8221; e &#8220;verdadeiras&#8221; (Salmo 19.10)</li>
<li>&#8220;mais desjáveis do que ouro puro&#8221; e &#8220;mais doces que o mel dos favos&#8221; (Salmo 19.11)</li>
<li>&#8220;instrutivas&#8221; e &#8220;proveitosas&#8221; (Salmo 19.12)</li>
</ul>
<p>Três qualificativos são especialmente aplicados à essência das Escrituras: são <em>verdadeiras </em>(cf. Salmo 33.4-5) ,  são <em>confiáveis </em>(Cf. Salmo 119.89-91, 160) ; e são <em>eficazes </em>ou poderosas  (cf. Hebreus 4.12; Filemom 6; e Tiago 1.22).</p>
<p>Com tantos qualificativos tão bons e tão superlativos é admirável a insistência atual no meio evangélico no uso da palavra &#8220;inerrante&#8221; para qualificar a doutrina da inspiração e autoridade das Escrituras! A forte impressão que se tem é que sem uma afirmação da inerrância das Escrituras, não há um compromisso ortodoxo e sério o suficiente com as Escrituras. Mas se fosse assim, a perspectiva das Escrituras ao seu próprio respeito seria aquém de tal definição de ortodoxia. Ao meu ver, o contrário é o caso. Isto é, <em>uma afirmação da inerrância das Escrituras é uma afirmação muito aquém da afirmação das próprias Escrituras</em>. A afirmação da inerrância das Escrituras é uma afirmação insuficiente quando se depara com as afirmações nas Escrituras a seu próprio respeito. O problema com o conceito da inerrância são vários, a saber:</p>
<ol>
<li>Na prática, a doutrina da inerrância impõe um critério estranho e moderno à avaliação das Escrituras. Digo &#8220;na prática&#8221; porque a doutrina da inerrância frequentemente desemboca numa metodologia de interpretação que desvaloriza a crítica histórica e metodologias que não sejam apenas gramaticais. No fim, a defesa da doutrina da inerrância corre o perigo de ser muito mais uma luta a favor de uma metodologia de interpretação do que uma defesa da autoridade e inspiração das Escrituras em si. Ora, a metodologia gramatical é o bê-á-bá da interpretação bíblica e de toda análise literária. Entretanto, lingüistas e peritos na área da comunicação, todos concordam que a metodologia gramatical não é a única metodologia à nossa disposição no estudo literário e certamente não revela tudo.</li>
<li>Na Bíblia o conceito de inerrância é um conceito aplicado a pessoas (Gênesis 4.12, 14; Jó 6.24; Salmo 58.4; 119.176; Jeremias 50.9; Juízes 20.16; Provérbios 12.26; 14.22) e não às Escrituras. Quem deve ser inerrante somos nós na nossa conduta e na nossa fé! Ou seja, o conceito da inerrância&#8221; é um conceito que provém do campo da <em>ética</em>, e não do campo da <em>ontologia</em>. Refere-se à conduta humana, e não à composição das Escrituras. O mais certo é advogar a doutrina da inerrância (isto é, a perseverança) na conduta cristã!</li>
</ol>
<p>O que estamos dizendo, então: que as Escrituras podem errar? Se por isso, quer dizer, que as Escrituras são imperfeitas, menos que justas, não inteiramente fiéis, não tão doce quanto o mel ou menos desejáveis que ouro refinado&#8230; então, de jeito algum! Neste sentido podemos também afirmar a inerrância das Escrituras, sem entretanto, limitar as metodologias que aplicamos a sua interpretação. Mas infelizmente não é apenas isso que os defensores da inerrância das Escrituras querem promover. Querem também promover <em>uma </em>metodologia &#8220;certa&#8221; de interpretação e <em>censurar </em>outras.</p>
<p>Qual seria uma postura recomendável, se formos obrigados a ultrapassar ou resumir as belas afirmações das próprias Escrituras? Diríamos assim&#8230;</p>
<ol>
<li>As Escrituras são uma parte essencial e um relato fidedigno da auto-revelação especial de Deus. Todos os livros do Antigo e do Novo Testamento foram inspirados por Deus, se constituem como a sua palavra escrita, a única regra infalível de fé e de prática. Devem ser interpretados conforme o seu contexto e propósito e obedecidos no temor do Senhor que é quem fala por meio deles em poder vivo. Assim, reconhecemos o processo histórico, cultural e literário no qual os diversos autores viviam e escreveram e pelo qual Deus nos trouxe a Palavra. Igualmente, reconhecemos os propósitos de cada autor e, acima de tudo, que Deus teve quando as Escrituras foram escritas. Efetivamente pressupomos, usando a analogia da encarnação, a plena divina inspiração das Escrituras, quanto a sua plena humanidade ou historicidade.</li>
<li>Como a Palavra de Deus, todas as Escrituras são absolutamente essenciais para nossa ação em prol do Evangelho. Esta postura nos leva à participação sem vacilar no <em>missio Dei</em>, revelada definitivamente em Jesus Cristo e manifestada pela obra contínua do Espírito Santo. A criação inteira, inclusive toda a humanidade, encontra o seu devido propósito e lugar unicamente em relacionamento vivo com Jesus Cristo.</li>
<li>A igreja compreende a sua tarefa no mundo (a motivação, o meio, a prioridade, o alvo, o alcance e o significado desta missão) em referência a própria missão de Deus para e em prol do mundo. Esta compreensão se informa por reflexão cuidadosa na revelação de Deus nas Escrituras e por atenção diligente, conforme o padrão paulino, em contextos específicos. A reflexão da igreja sobre sua tarefa no mundo (a missiologia) nunca se completa, da mesma forma que a sua missão para e pelo mundo só se completa no retorno de Cristo. A reflexão teológica contextual sempre permanece essencial para o engajamento eficaz da igreja na missão de Deus.</li>
<li>&#8220;Missão&#8221;, portanto, sempre é a <em>raison d&#8217;être</em> <strong>penúltima </strong>da igreja. Sua razão <strong>última </strong>de ser, para a qual a missão deverá contribuir, é a glória de Deus. Esta distinção é imporante e nos guarda dos perigos da auto-promoção eclesiática ou missionária. Quando a igreja se engaja corajosa e sacrificialmente na missão de Deus, sua própria chamada se renova e a glória de Deus é mais conhecida pela superfície da terra.</li>
<li>A igreja hoje continua a tarefa do povo de Deus desde o chamado de Abraão e que é  derivada da própria missão e natureza de Deus. A natureza atual desta tarefa se esclarece através da reflexão atenciosa nas manifestações anteriores da misão de Deus através dos séculos, mas com atenção especial às Escrituras e reconhecendo a prioridade hermenêutica do Novo Testamento como o cumprimento desta expressão.</li>
<li>O desempenho da igreja na missão de Deus deve ser contínuo não apenas com a história desta missão, mas também deve se expressar em continuidade com todo o povo de Deus ao redor do mundo. Isto é, a unidade do povo de Deus mundialmente é também desafio para sua fidelidade. Em João 17.21, Cristo orou em favor dos seus seguidores, &#8220;que todos sejam um, como tú és,ó Pai, em mim e eu em ti também sejam eles em nós, para que o mundo creia que tú me enviaste.&#8221; Que nós sejamos uma resposta a esta oração ao invés da sua ocasião.</li>
</ol>
<p>Eis as nossas observações mais missiológicas. E uma boa afirmação teológica? Ainda achamos que a <strong><em>Confissão de Westminster</em></strong> promove excelente reflexão teológica da autoridade e inspiração das Escrituras. Veja, especialmente os seguintes parágrafos:</p>
<p>CAPÍTULO I<br />
DA ESCRITURA SAGRADA</p>
<p>I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda.  Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.</p>
<p>Referências &#8211; Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor.  1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa.  8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.</p>
<p>II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus para serem a regra de fé e de prática:</p>
<p>O VELHO TESTAMENTO</p>
<p>Gênesis<br />
Êxodo<br />
Levítico<br />
Números<br />
Deuteronômio<br />
Josué<br />
Juízes<br />
Rute<br />
I Samuel<br />
II Samuel<br />
I Reis<br />
II Reis<br />
I Crônicas<br />
II Crônicas<br />
Esdras<br />
Neemias<br />
Ester<br />
Jó<br />
Salmos<br />
Provérbios<br />
Eclesiastes<br />
Cântico dos Cânticos<br />
Jeremias<br />
Isaías<br />
Lamentações<br />
Ezequiel<br />
Daniel<br />
Oséias<br />
Joel<br />
Amós<br />
Obadias<br />
Jonas<br />
Miquéias<br />
Naum<br />
Habacuque<br />
Sofonias<br />
Ageu<br />
Zacarias<br />
Malaquias</p>
<p>O NOVO TESTAMENTO</p>
<p>Mateus<br />
Marcos<br />
Lucas<br />
João<br />
Atos<br />
Romanos<br />
I Coríntios<br />
II Coríntios<br />
Gálatas<br />
Efésios<br />
Filipenses<br />
Colossenses<br />
I Tessalonicenses<br />
II Tessalonicenses<br />
I Timóteo<br />
II Timóteo<br />
Tito<br />
Filemon<br />
Hebreus<br />
Tiago<br />
I Pedro<br />
II Pedro<br />
I João<br />
II João<br />
III João<br />
Judas<br />
Apocalípse</p>
<p>Ref. Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.</p>
<p>III. Os livros geralmente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos.</p>
<p>Ref.  Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.</p>
<p>IV. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a palavra de Deus.</p>
<p>Ref.  II Tim. 3:16; I João 5:9, I Tess. 2:13.</p>
<p>V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provém da operação interna do Espírito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações.</p>
<p>Ref.  I Tim. 3:15; I João 2:20,27; João 16:13-14; I Cor. 2:10-12.</p>
<p>VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espíri&#8217;to, nem por tradições dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a salvadora compreensão das coisas reveladas na palavra, e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.</p>
<p>Ref.  II Tim. 3:15-17; Gal.  1:8; II Tess. 2:2; João 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.</p>
<p>VII. Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não só os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas.</p>
<p>Ref.  II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.</p>
<p>VIII. O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam  a esperança pela paciência e conforto das escrituras.</p>
<p>Ref.  Mat.  5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, ll, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom. 15:4.</p>
<p>IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.</p>
<p>Ref.  At.  15: 15; João 5:46; II Ped. 1:20-21.</p>
<p>X. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.</p>
<p>Ref.  Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.<br />
Para uma versão desta reflexão em Word COM NOTAS DE RODAPÉ, siga o seguinte link <a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2007/11/inspiracao-das-escrituras.pdf" target="_blank"><strong>AQUI </strong></a></p>
<p>Para uma &#8220;tipologia&#8221; de diversas perspectivas sobre a inspiração das Escrituras, veja o seguinte diagrama: <a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2007/11/natureza-divina-e-humana-das-escrituras.pdf" target="_blank"><strong><em>A natureza divina e humana das Escrituras</em></strong></a></p>
<p><a href="http://feemissao.files.wordpress.com/2007/04/natureza-divina-e-humana-das-escrituras.doc" target="_blank"></a></p>
<p><img src="http://rakeshkumar.wordpress.com/files/2006/08/technorati.gif" alt="Technorati" /><strong>Technorati: </strong><a href="http://www.technorati.com/tag/B?blia" rel="tag">Bíblia</a>, <a href="http://www.technorati.com/tag/inspiração+da+B?blia" rel="tag">inspiração da Bíblia</a>, <a href="http://www.technorati.com/tag/autoridade+da+B?blia" rel="tag">autoridade da Bíblia</a>, <a href="http://www.technorati.com/tag/inerrância" rel="tag">inerrância</a>, <a href="http://www.technorati.com/tag/Confissão+de+Westminster" rel="tag">Confissão de Westminster</a>, <a href="http://www.technorati.com/tag/hermenêutica" rel="tag">hermenêutica</a></p>
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		<title>BRASIL: A opção pelos convertidos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Feb 2007 20:49:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de receber o seguinte relatório sobre o perfil mutante do protestantismo brasileiro. Os números são impressionantes, mesmo que a interpretação do significado é discutível:</p>
<p>SÃO PAULO, 13 de fevereiro (ALC) – O neopentecostalismo é uma religião que colou nos mais pobres, não como uma opção pelos excluídos, como fez a Igreja Católica, mas para convertê-los. O resultado é que uma dessas denominações, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), experimentou o estrondoso crescimento de 681,5% no número de fiéis, de 1991 a 2000.</p>
<p>No mesmo período, as demais igrejas evangélicas cresceram, juntas, 98,5%, os católicos aumentaram 2,5%, bem abaixo da taxa de crescimento da população brasileira, que foi de 15,7%. A análise é do sociólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Flávio Pierucci, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no sábado, 11 de fevereiro.<span id="more-49"></span></p>
<p>Na avaliação de Pierucci, a maior taxa de crescimento vem se dando com as igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade, como é o caso da IURD, e as que pregam o milagre da cura, como a Igreja Deus é Amor, que cresceu 357,6% no período. O Brasil será, pois, um país com uma cara cada vez mais pentecostal, mais conservadora nas questões de moral sexual.</p>
<p>As igrejas neopentecostais introduziram uma grande novidade no mundo religioso cristão: a valorização positiva do dinheiro. “Você dá dinheiro para a igreja e quanto maior a tua generosidade, maior a tua recompensa. Isso nunca houve. É como se fosse uma aplicação, você investe na igreja e aguarda um retorno de Deus. Isso é uma invenção dos neopentecostais, uma grande mina de ouro”, explicou o sociólogo.</p>
<p>O protestantismo do século XVII, lembrou o entrevistado, dizia que Deus iria coroar de sucesso o fiel que trabalhasse. O trabalho era recompensado. Já o neopentecostalismo valoriza o dinheiro. E o dinheiro pode ser transformado numa mansão para moradia do pastor. O sucesso “reforça a idéia de que Deus de fato recompensa aqueles que oram, e que o dinheiro é uma coisa positiva, desejável”, assinalou Pierucci.</p>
<p>Uma outra diferença apontada pelo professor da USP na entrevista é que o crente neopentecostal é levado a ser exigente com Deus, a cobrar de Deus. “&#8217;Eu dei pra você tudo que eu tinha no banco, você é fiel, você não vai me abandonar, você vai fazer isso que estou pedindo&#8217;. É um jeito de orar cobrando, nada parecido com as orações tradicionais, que pedem com humildade”, comparou.</p>
<p>A Teologia da Prosperidade é americana, mas foi processada no Brasil, onde igrejas a inovaram ao pregá-la em grandes espaços, ocupando mídia e criando uma igreja-empresa, arrolou o sociólogo. Daí que igrejas neopentecostais são denominações capitalistas.</p>
<p>Na avaliação de Pierucci, o neopentecostalismo não respeita tradições nem cultura, é impiedoso com religiões menores, como as afro-brasileiras, “age como se estivesse numa guerra, disputando fiéis. Isso explica o seu rápido crescimento, especialmente na periferia das grandes cidades e nas regiões onde o catolicismo não avançou”.</p>
<p>Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação<br />
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