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	<title>Fé e Missão</title>
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	<description>Reflexões sobre o engajamento bíblico e missionário da igreja</description>
	<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 21:24:48 +0000</pubDate>
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		<title>Antropologia do Diálogo</title>
		<link>http://missao.info/2008/07/22/antropologia-do-dialogo/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Jul 2008 16:56:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[recursos  missionários]]></category>

		<category><![CDATA[seminário]]></category>

		<category><![CDATA[antropologia]]></category>

		<category><![CDATA[cultura]]></category>

		<category><![CDATA[diálogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Alunos do Curso de Pós-Graduação em Diálogo Ecumênico e Inter-religioso do Instituto Teológico do Estado de Santa Catarina (ITESC) poderão baixar o roteiro das aulas de Antropologia do Diálogo AQUI
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alunos do Curso de Pós-Graduação em Diálogo Ecumênico e Inter-religioso do Instituto Teológico do Estado de Santa Catarina (ITESC) poderão baixar o roteiro das aulas de <em>Antropologia do Diálogo </em><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/07/antropologia-do-dialogo-roteiro-2008-itesc.doc" target="_blank">AQUI</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Novos recursos na área de &#8220;cultura&#8221;</title>
		<link>http://missao.info/2008/05/27/novos-recursos-na-area-de-cultura/</link>
		<comments>http://missao.info/2008/05/27/novos-recursos-na-area-de-cultura/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 May 2008 13:04:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[recursos  missionários]]></category>

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		<description><![CDATA[Na página de material para baixar, na categoria &#8220;cultura&#8220;, acabamos de lançar os seguintes recursos novos:

Movimentos de revitalização de Anthony Wallace

 Este é um artigo clássico e muito citado dentro do campo da antropologia e sociologia da religião, escrito por Anthony Wallace. Foi traduzido alguns anos atrás junto com mais doze artigos clássicos (aguarde!) para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na página de material para <a href="http://missao.info/baixar/" target="_blank">baixar</a>, na categoria &#8220;<a href="http://missao.info/baixar/cultura-e-sociedade/" target="_blank">cultura</a>&#8220;, acabamos de lançar os seguintes recursos novos:<span id="more-232"></span></p>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2007/11/wallace.pdf" target="_blank"><em>Movimentos de revitalização </em></a></strong>de <strong>Anthony Wallace</strong></li>
</ul>
<blockquote><p> Este é um artigo clássico e muito citado dentro do campo da antropologia e sociologia da religião, escrito por Anthony Wallace. Foi traduzido alguns anos atrás junto com mais doze artigos clássicos (<u><em>aguarde!</em></u>) para aulas de antropologia missionária.</p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/aprendizagem-de-linguas.pdf" target="_blank"><em>A Aprendizagem de Línguas por Missionários</em></a> </strong>de <strong>Marta Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p><strong><strong> </strong></strong>Um estudo feito pela minha esposa, Marta, e publicado em 1993 pela Editora Mundo Cristão na série, <em>Missões na Igreja Brasileira.</em></p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/5-pilares-do-isla.pdf" target="_blank"><em>O Cinco Pilares do Islã </em></a></strong>de <strong>Dudley Woodberry</strong></li>
</ul>
<blockquote><p><strong><strong><em> </em></strong></strong>É um estudo que descreve os fundamentos do islamismo que se derivaram dos antecedentes judaicos e cristãos primitivos.</p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/definicao-transcultural-do-pecado.pdf" target="_blank"><em>Em busca duma definição transcultural do pecado </em></a></strong>de <strong>Wayne Dye</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>Uma reflexão fascinante de considera vários fatores culturais na compreensãopor um grupo étnico do &#8220;pecado&#8221;.</p></blockquote>
<p><strong>APRESENTAÇÕES (POWERPOINT)</strong></p>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/tipos-de-espiritismo.ppt" target="_blank"><em>O Espiritismo Brasileiro</em></a> </strong>de <strong>Timóteo Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>Uma transparência que procure ilustrar a relação entre o catolicismo, o kardecismo, os cultos afro-brasileiros e os cultos indígenas na formação da umbanda e outras expressões de espiritismo no Brasil.</p></blockquote>
<ul>
<li><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/processo-de-revitalizacao.ppt" target="_blank"><strong><em>O Processo de Revitalização</em></strong></a> de <strong>Timóteo Carriker<br />
</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>Esta transparência se baséia na teoria de Anthony Wallace (veja acima) sobre os diversas opções sociais no processo da revitalização duma cultura que poderá lever ou para uma nova situação de contextualização, sincretismo, adoção cultural, tradicionalismo ou simplesmente extinção.</p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/religioes-brasileiras.ppt" target="_blank"><em>Surgimento das Religiões Brasileiras </em></a></strong>de <strong>Timóteo Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p><strong><strong><em> </em></strong></strong>É uma só transparência que mostra uma síntese do surgimento e entrelaçamento das principais religiões no Brasil: os cultos indígenas, o catolicismo, os cultos africanos, o protestantismo, o umbanda, o pentecostalismo e o kardecismo.</p></blockquote>
<ul>
<li><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/formas-e-significados.ppt" target="_blank"><em><strong>As Formas e os Sentidos</strong></em></a>  de <strong>Timóteo Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>As diversas combinações de formas e sentidos, autóctones e alóctones que resultam na contextualização, no sincretismo, no tradicionalismo ou na dominação cultural.</p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/contextualizacao.ppt" target="_blank"><em>A Contextualização</em></a> </strong>de <strong>Timóteo Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>Como proceder para facilitar a contextualização?</p></blockquote>
<ul>
<li><strong><a href="http://missao.info/wp-content/uploads/2008/05/explanacao-religiosa.ppt" target="_blank"><em>A Explanação Religiosa</em></a> </strong>de <strong>Timóteo Carriker</strong></li>
</ul>
<blockquote><p>Os diversos níveis e tipos de explanação religiosa baseada nas observações de Paul Hiebert.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://missao.info/2008/05/27/novos-recursos-na-area-de-cultura/feed/</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>III Curso de Pós-graduação em Diálogo Ecumênico e Inter-religioso</title>
		<link>http://missao.info/2008/03/28/iii-curso-de-pos-graduacao-em-dialogo-ecumenico-e-inter-religioso/</link>
		<comments>http://missao.info/2008/03/28/iii-curso-de-pos-graduacao-em-dialogo-ecumenico-e-inter-religioso/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 22:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[preparo  missionário]]></category>

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		<description><![CDATA[O Instituto Teológico de Santa Catarina abre o III Curso de Pós-graduação em Diálogo Ecumênico e Inter-religioso.
Trata-se de uma importante formação para agentes de pastoral, religiosos/as, professores do Ensino Religioso.
O Curso acontecerá em três etapas, de duas semanas cada uma:

de 14/07 a 26/07 de 2008
de 02/02 a 14/02 de 2009
de 13/07 a 25/07 de 2009

O valor do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto Teológico de Santa Catarina abre o III Curso de Pós-graduação em <em>Diálogo Ecumênico e Inter-religioso.</em></p>
<p>Trata-se de uma importante formação para agentes de pastoral, religiosos/as, professores do Ensino Religioso.</p>
<p>O Curso acontecerá em três etapas, de duas semanas cada uma:</p>
<ol>
<li>de 14/07 a 26/07 de 2008</li>
<li>de 02/02 a 14/02 de 2009</li>
<li>de 13/07 a 25/07 de 2009</li>
</ol>
<p>O valor do Curso é de R$ 350.00 cada etapa, muito barato considerando ser uma &#8220;pós-graduação&#8221;, com reconhecimento do MEC. Há possibilidade de hospedagem no ITESC. Vagas limitadas, com inscrições até 15 de junho.</p>
<p>Informações: (48) 3234 0400 - <a href="mailto:secretaria@itesc.org.br;" title="mailto:secretaria@itesc.org.br;" target="_blank">secretaria@itesc.org.br;</a> <a href="http://www.itesc.ecumenismo.com/" title="http://www.itesc.ecumenismo.com/" target="_blank">www.itesc.ecumenismo.com</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>II Encontro Catarinense de Judeus, Cristãos e Muçulmanos</title>
		<link>http://missao.info/2008/03/28/ii-encontro-catarinense-de-judeus-cristaos-e-muculmanos/</link>
		<comments>http://missao.info/2008/03/28/ii-encontro-catarinense-de-judeus-cristaos-e-muculmanos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 28 Mar 2008 22:23:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[eventos]]></category>

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		<description><![CDATA[Em nossos tempos, é uma urgência o diálogo entre as religiões, para a convivência pacífica e a promoção de um mundo melhor. Em Florianópolis, vamos realizar nos dias 05 e 06 de abril o
II ENCONTRO CATARINENSE DE JUDEUS, CRISTÃOS E MUÇULMANOS.
O encontro será no Instituto Teológico de Santa Catarina - ITESC.
Informações: elias.wolff@itesc.org.br - 3234 0400
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em nossos tempos, é uma urgência o diálogo entre as religiões, para a convivência pacífica e a promoção de um mundo melhor. Em Florianópolis, vamos realizar nos dias 05 e 06 de abril o</p>
<p>II ENCONTRO CATARINENSE DE JUDEUS, CRISTÃOS E MUÇULMANOS.</p>
<p>O encontro será no Instituto Teológico de Santa Catarina - ITESC.</p>
<p>Informações: <a href="mailto:elias.wolff@itesc.org.br" target="_blank">elias.wolff@itesc.org.br</a> - 3234 0400</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fé e Ciência: gêmeas amigas, ou inimigas?</title>
		<link>http://missao.info/2008/03/22/fe-e-ciencia-amigas-inimigas-ou-que/</link>
		<comments>http://missao.info/2008/03/22/fe-e-ciencia-amigas-inimigas-ou-que/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 00:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[fé]]></category>

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		<description><![CDATA[O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Como os divórcios são caraterizados por brigas, mal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O divórcio entre a fé e a ciência, ou entre a física e a metafísica, marcou o fim da Idade Medieval e o início do Iluminismo. Não me entenda mal. Creio que este divórcio trouxe inestimáveis benefícios para ambos os lados, mas não sem um alto preço. Como os divórcios são caraterizados por brigas, mal entendidos, rotulações preconceituosas ou até mesmo xingações dos dois lados, também a ciência e a teologia sofrem de grande dificuldade de comunicação. Além disto, com o amadurecimento da ciência, cresce a convicção popular que a ela pertence o campo de fatos enquanto à religião pertence o campo de valores. Curiosamente ao campo de fatos se aplica a regra de singularidade e dogma. Isto é, a respeito de determinado fenômeno, cientificamente falando, os fatos são únicos, e uma vez estabelecidos, se tornam dogmas. O inverso ocorre na percepção do papel da religião para quem é relegado campo de valores. Estes valores, não como fatos, são múltiplos e por isso culturalmente não devem ser entendidos como dogmas universais, apenas do gosto do freguês.<span id="more-11"></span></p>
<p>Digo isso a princípio só para ilustrar a dificuldade de intercâmbio que historicamente existe entre estes dois paradigmas. Uma uma parábola vai ajudar (a primeira regra da teologia é se não souber da resposta, conte uma parábola!).</p>
<p>Em julho de 1979, na famosa universidade, Massachusetts Institute of Technology na cidade de Cambridge, Massachusetts, igrejas do mundo inteiro, protestantes, católicos romanos e católicos ortodoxos, se-reuniram (com o apoio do Concílio Mundial de Igrejas) para discutir o tema, &#8220;Fé e ciência num mundo injusto&#8221;. O astrônomo australiano eminente, Robert Hanbury Brown, foi convidado para dar início à conferência com uma definição da ciência e uma interpretação da sua natureza. Dois dos seus temas eram especialmente interessantes.</p>
<p>Começando com uma definição clássica, ele descreveu como a &#8220;industralização&#8221; da ciência - sua aliança com instituições políticas e econômicas - modificou a compreensão clássica como uma busca pela verdade objetiva e verificável. Mesmo assim, como o bom cientista que é, Brown afirmou a importância da objetividade e a verifiabilidade para toda tarefa científica.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Brown enfatizou que os conceitos científicos são metáforas e abstrações relacionadas a uma realidade essencialmente misteriosa. Disse ainda, que dentro da própria ciência, há metáforas e abstrações diferentes que podem ser consideradas &#8220;complimentares&#8221; e não antagônicas. Com base neste último ponto, ele argumentou que uma ciência devidamente modesta e a fé podem ser vistas como respostas complimentares aos mistérios últimos da existência.</p>
<p>Depois da palestra de Brown, havia duas reações convidadas. Uma veio duma cientista africana, Matu Maathai, que era basicamente uma aprovação entusiástica da ciência, mesmo com algumas ressalvas a respeito do perigo do abuso da ciência no terceiro mundo, especialmente para o aumento de armas de destruição.</p>
<p>A segunda reação veio dum teólogo e filósofo social brasileiro, Rubem Alves, então professor  da UNICAMP e atualmente psicanalista e meu vizinho do lado da minha casa. Típico do espírito brasileiro poético e brincalhão, Rubem Alves deu sua resposta contando a seguinte estória:</p>
<blockquote><p>Era uma vez um cordeiro, que amando o conhecimento objetivo, resolveu descobrir a verdade sobre os lobos. Já sabia de muitos contos ruins sobre os lobos. Eram verdadeiros? Resolveu investigar de primeira mão. Então ele escreveu uma carta para um lobo filósofo com uma pergunta simples e direto: O que é um lobo? O lobo filósofo respondeu a carta explicando o que os lobos são: seus formatos, seus tamanhos, suas cores, seus hábitos sociais, seu pensamento, etc. Pensou, entretanto, que era irrelevante falar dos seus hábitos alimentícios já  que tais hábitos, de acordo com a própria filosofia do lobo filósofo, não pertenciam à essência dos lobos. Pois bem, o cordeiro ficou tão impressionado com a carta que resolveu fazer uma visita na casa do seu novo amigo, o lobo. Foi somente então que aprendeu para sua infelicidade que os lobos têm uma fraqueza por churrasco de cordeiro.</p></blockquote>
<p>Seria fácil confundir as personagens da parábola de Rubem Alves. Poderia imaginar que para ele, o lobo representa o cientista puro e o cordeiro o religioso. Também não seria difícil imaginar o contrário. Mas o próprio Dr. Alves explica: o lobo somos todos nós que pretendemos nos definir com objetividade e distância pessoal. Os lobos são os cientistas, religiosos, políticos, economistas e até professores universitários. Entretanto o tom bastante negativo de Alves ilustra a difícil relação entre a ciência e a religião. Esta relação tênua tem uma longa história que não dá para relatar adequadamente aqui. Mas é um relacionamento que não precisa ser, e não é o único relacionamento possível. Gostaria de propor um outro, não de incompatibilidade entre lobo e cordeiro, mas do <em>desconhecimento mútuo entre dois gêmeos que são criados separadamente</em>.</p>
<p>Já aparece nas reportagens na televisão: dois gêmeos, ou duas gêmeas que eram separados logo depois do nascimento se encontram décadas depois. A alegria é enorme, mas na própria reportagem dá para perceber que os dois já são bem diferentes, devido a influência não só de fatores psicológicos que levam quaisquer irmãos, gêmeos ou não, a terem suas próprias personalidades, mas também devido a criação em contextos totalmente diferentes que os gêmeos sofrearam. Talvez eu esteja exagerando na analogia, mas <em>prefiro ver a fé e a ciência como gêmeos criados separados.</em> Deveriam ter mais em comum do que de fato têm, não idênticos, pela mesma razão que gêmeos idênticos não são idênticos na sua personalidade. Faço esta fantástica afirmação que <em>a fé, certamente a fé cristã, literalmente começa e termina com uma preocupação cosmológica,</em> uma preocupação que normalmente relegamos a ciência. Enquanto isso, <em>a ciência sem dúvida está fazendo perguntas cada vez mais teleológicas e estéticas</em>, que se refere à finalidade e a beleza da realidade conhecível.</p>
<p><strong>A prioridade cosmológica da fé bíblica</strong></p>
<p>A <em>fé, </em>pelo menos a fé bíblica, <em>não é de maneira alguma, contra a ciência</em>. Pelo contrário, do ponto de vista teológica, <em>a fé incentiva e exige a ciência</em> no que se refere geralmente de qualquer busca pela verdade e no que se refere especificamente da incumbência humana de classificar, compreender, e explicar abstratamente a natureza (Gênesis 2.19-20).</p>
<p><strong>1. A busca da verdade</strong><br />
(Salmo 25.1-5; Provérbios 1.7; 2.1-6; 23.23; Daniel 2.20-21; João 14.6; Romanos 12.1-2; Filipenses 4.8)</p>
<p>Paul Tillich definiu uma vez a religião como qualquer &#8220;procupação última&#8221; que alguem tenha. Assim foi além das definições tradicionais que restringia a religião ao campo do místico, ou do sobrenatural. Mesmo com esta definição ampla de Tillich, não é difícil associar a fé bíblica com uma preocupação com o divino. Interessantemente as Escrituras antigas fazem uma nítida ligação entre o divino e a verdade. Em João 14.6, Jesus alega ser a verdade, não só saber ao seu respeito, mas de ser a verdade. Não estava inovando. No Antigo Testamento já dizera que o conhecimento (<em>daath</em>) pertence a Deus (1 Samuel 2.3). E onde a sabedoria é personificada, ela adquire caraterísticas divinas. Alías, em Provérbios 1-8 ela é ao mesmo tempo personificada e divinizada. Agora, é importante esclarecer que a afirmação teológica &#8220;Deus é a verdade&#8221;, deve ser entendido inclusivamente, não exclusivamente. Não é uma negação da ciência. Pelo contrário, é uma afirmação de tudo na ciência e em qualquer paradigma humana <em>que é verdadeiro</em>. Quem busca a Deus, busca a verdade. E quem de fato busca a verdade, está no caminho a Deus, mesmo que não intencionalmente, quer seja teísta, deísta ou ateu. Portanto a fé, pela sua busca pela verdade e de modo geral, incentiva e exige a ciência.<br />
<strong><br />
2. A incumbência científica</strong></p>
<p>Também especificamente a fé cristã, nas primeiras páginas da sua constituição, a Bíblia, começa com uma preocupação cosmológica: &#8220;no princípio criou Deus os céus e a terra.&#8221; E nas suás últimas páginas lemos da recriação dos mesmos. Os diversos relatos da Bíblia sobre o início do universo (só em Gênesis há duas versões logo no início e há outras nos salmos, nos profetas e também no Novo Testamento) demonstram um interesse nos elementos da natureza em si e por si só que em muito supera o interesse que se encontra nos escritos teológicos e que em muito coincide com as descrições científicas.</p>
<p>Agora esta última frase, &#8220;a preocupação bíblica&#8230;em muito coincide com as descrições científicas&#8221; precisa de explicação. Duas observações quanto à linguagem não científica da Bíblia e o papel de auxílio que ciência presta para uma leitura retrospectiva da Bíblia.</p>
<p>Primeiro, tem havido verdadeiras revoluções a partir do fim do século passado e especialmente nas últimas duas décadas sobre métodos de interpretação da Escrituras. Alguns métodos são mais controvertidos que os outros. Mas de grosso modo tem havido uma compreensão e apreciação cada vez mais dos meios culturais e historicamente limitados da composição literária dos diversos livros da Bíblia. Sem necessariamente abrir a mão da autoridade das Escrituras (alguns abrem, outros não), e baseado na analogia da encarnação do divino no ser humano Jesus, e francamente com o auxílio do desenvolvimento da antropologia cultural e social, os teólogos começam a apreciar e dar espaço cada vez mais para a expressão de verdades divinas através de forças de expressão culturalmente influenciadas. Talvez para muitos de vocês estou falando o óbvio. Mas para outros não é tão óbvio. Por exemplo, se Davi não era o pai de Jesus, por que Jesus é chamado constantemente &#8220;filho de Davi&#8221;? A resposta é simples: a palavra &#8220;filho&#8221; (<em>ben</em>) em hebraico se refere à descendência, não apenas filiação imediata. Semelhantemente o arranjo de eventos na vida de Jesus varia entre os Evangelhos simplesmente porque aqueles que relataram os eventos - Mateus, Marcos, Lucas, e João - não seguiram, por razões óbvias, a metodologia da historiografia moderna e ocidental. Escreveram dentro das normas culturais da sua época e a inspiração divina veio através de tão humanidade, não ultr-passando-a.</p>
<p>Tendo isto em vista, volto a afirmação anterior: &#8220;a preocupação bíblica, <em>dentro da linguagem bíblica</em>, &#8230;em muito coincide com as descrições científicas&#8221; Por exemplo, Gênesis fala do surgimento de toda a raça humana, não apenas dum indivíduo. A palavra, &#8220;Adão&#8221; significa simplesmente &#8220;ser humano&#8221; e é uma derivação da palavra &#8220;terra&#8221;, de onde o ser humano surgiu. Não é isto a perspectiva científica: que a raça humana se constitue dos mesmos elementos da terra?</p>
<p>Em segundo lugar, a perspectiva bíblica, nem sempre a mesma dos teólogos, não se restringe à criação da terra, muito menos da raça humana, mas começa numa escala mais abrangente, a criação do universo. E apesar de tudo que alguns cristãos bem intencionados dizem, a linguagem hebraico a respeito dos &#8220;dias&#8221; da criação não só permite mas exige o conceito de períodos longos, não somente de 24 horas (como já acreditavam os pais da igreja: Irineu, Orígenes, Basil, Agostinho nos primeiros séculos (1-5), e Tomás Aquinas no século 13, certamente não sob a influência da modernidade). Dentro do campo semântico da palavra, yom, está o cnceito de períodos. Só para dá um exemplo, pelo menos mil anos depois do relato da criação, o autor de Hebreus no Novo Testamento, disse que podemos entrar no descanso de Deus, a nomenclatura do sétimo dia da criação, dia este no qual ainda passamos conforme o autor de Hebreus.</p>
<p>Em terceiro lugar, todos os relatos da criação na Bíblia pressupõem um alto grau de <em>ordem </em>num relacionamento dinâmico com o <em>caos </em>(Josué 10.12; Juízes 5.20; Gênesis 49.25; Êxodo 15.8,11; Números 16.30; Deuteronômio 33.14ss; Jeremias 31:35-36 e Salmo 29 e 8). A construção ordeira da criação sobressai em Provérbios 8.22-36 como a arquitetura da sabedoria personificada. Também, a ordem é imediatamente evidente no relato de Gênesis 1 da ação inicial de Deus sobre e contra todo o caos (compare Gênesis 1.2 com Isaías 45.18!). Essa ordem, ou subordinação da criação, continuamente recebe destaque em vários salmos, especialmente Salmo 18.7-15. Hoje, as teorias de caos e especialmente de complexidade (fenômenos de estudo interdisciplinar) confirmam esta relação necessária para o surgimento de sistemas complexos (talvez a relação entre a entropia e as forças kenéticas ilustre este ponto).</p>
<p>Antigamente, os teólogos tinham basicamente duas opções para a interpretação do relato cosmológico de Gênesis 1 e 2. Alguns trataram os relatos de Gênesis 1 e 2 como pura invenção sem nenhuma relação com acontecimentos históricos. Isto parecia-lhes a única solução a tantas incompatibilidades com a ciência moderna. Outros estudiosos, no intuito de ser fiel a autoridade das escrituras, forçam uma seqüência restritamente cronológica nos relatos propondo interpretações cada vez mais fantásticas e inacreditáveis.</p>
<p>Hoje, com a lições da antropologia, é mais fácil descartar estas duas interpretações tão preocupadas com a cronologia (ou pela sua negação ou pela afirmação) ambas partindo de conceitos contemporâneos e ocidentais do tempo e da história, em contraposição aos conceitos hebraicos antigos. Nos relatos da criação, Israel não estava interessado na natureza física da criação em si, como nós hoje em dia procuramos entender pela ciência natural a origem das coisas. Para Israel, o relato da criação era importante à medida que explicava <em>seu </em>relacionamento com o plano de Deus, para este mundo todo. Isto é, devemos entender os relatos não cronológicamente mas <em>topicamente</em>, o tópico sendo o propósito de Deus para a sua criação, ou mais precisamente, o reino de Deus.</p>
<p>Desta perspectiva, Deus primeiro cria três grupos básicos de <em>reinos</em>, ou domínios, durante os primeiros três dias. Nos próximos três dias, Deus cria os <em>reis </em>para governarem nos reinos, anteriormente criados. O último rei a ser designado (constituindo a primeira Grande Comissão!) é o homem, que recebe o mandato representativo e real como governador-administrador sobre todos os outros reis e reinados. Por representativo, quer dizer que a humanidade foi criada por Deus à sua imagem (<em>çelem</em>) e semelhança (<em>dêmûth</em>), isto é, segundo a sua espécie (Gênesis 1.26,11).</p>
<p>O importante no relato, então, é ressaltar o <em>propósito </em>da criação do homem, e não tanto a <em>forma </em>que assumiu. Semelhantemente, o relato se importa mais com o propósito do resto da criação, do que com a forma e com a natureza desta origem em si, sendo estas últimas, preocupações da ciência moderna.</p>
<p>Dentro do esquema apresentado a humanidade tem um chamamento representativo para <em>reinar como Deus reina</em>. Por esta razão, o ser humano é não somente o servo do Senhor, como também representante dele. Assim como Deus faz, o representante deveria fazer, refletindo as características do Criador. Nisto, a realeza e o domínio de Deus são refletidos no domínio e na administração apropriados da humanidade sobre a criação. A função que a imagem de Deus no ser humano tem, portanto, é exatamente o que o texto bíblico elabora em Gênesis 1.28, &#8220;ter domínio&#8221; (<em>râdhâh</em>) e &#8220;sujeitar&#8221; (<em>kôbhash</em>) a terra. Isto é o seu status como senhor no mundo. Deus coloca a humanidade no mundo como sinal da sua soberania. E de acordo com Gênesis 2.19-20, esta soberania é exercida pela incumbência (divina) de classificar, compreender, e explicar abstratamente a natureza. A incumbência e o destino do ser humano estão ligados ao universo e vice versa (Romanos 8.19-21).</p>
<p>O Salmo 8 concorda com este conceito de Gênesis 1 de que a humanidade realiza sua comissão como rei do reino terrestre, assim como Deus é Rei do reino celeste, e o status do ser humano sendo por um pouco menor do que Deus. Daniel Thambyrajah Niles, teólogo e missionário indiano ilustra esta relação da seguinte forma:</p>
<blockquote><p>O homem é a única criatura que Deus fez cujo ser não está em si mesmo, e que por si mesmo não é nada. A &#8220;canicidade&#8221; do cão está no cão, mas a &#8220;humanidade&#8221; do homem não está no homem. Está na sua relação com Deus. O homem é homem porque reflete Deus, e somente quando ele assim o faz [tradução] (1958:60-61).</p></blockquote>
<p>O ser humano é <em>homo Dei</em>, ou está aquém da sua própria humanidade. As implicações desta incumbência divina do ser humano para a tarefa da ciência são grandes. Repare, por exemplo, que tal incumbência é da essência da humanidade, e não um derivado da sua salvação. Pois em Gênesis 1 e 2 não se fala da salvação simplesmente porque não havia ainda a queda. A queda aparece somente no capítulo 3. Novamente afirmo: a incumbência divina para governar o mundo natural especialmente através da sua classificação nominal das suas diversas partes (sem dúvida a ciência é campião na fabricação de palavrões!) É da essência de toda a humanidade, não só dos religiosos. Precede a queda. Aliás, mesmo depois da queda a incumbência permanece em pé (Gênesis 9.1-7). Na teologia esta incumbência comum é denominada &#8220;graça comum&#8221; ou &#8220;revelação comum&#8221; e se distingui da &#8220;graça especial&#8221; pela salvação, ou a &#8220;revelação especial&#8221; através das Escrituras. Só que &#8220;especial&#8221; não significa que a revelação é verdadeira que a revelação comum (por exemplo, através da ciência). A qualificação, &#8220;especial&#8221;, se refere ao meio da revelação - as Escrituras - não a sua qualidade.</p>
<p><strong>O interesse estético e teleológico da ciência</strong></p>
<p>Acima usei a analogia de gêmeos criados separadamente para descreve a relação entre a ciência e a fé. Disse que a fé, certamente a fé cristã, literalmente começa e termina com uma preocupação cosmológica, uma preocupação que normalmente relegamos a ciência e elaborei um pouco sobre isso. Também disse que a ciência está fazendo perguntas cada vez mais teleológicas e estéticas, que se refere à finalidade e a beleza da realidade conhecível, perguntas que geralmente relegamos à religião. Já que tal afirmação foge da minha competência profissional, não vou arriscar uma elaboração deste ponto. Vou apenas ilustrá-lo através de alguns cientistas mundialmente conhecidos e respeitados.</p>
<p>Primeiro, algumas citações do astrônomo John Barrow (co-autor com Frank Tipler do livro que elabora o princípio cosmológico antrópico), no seu livro, <em>The Artful Universe</em> (Oxford: Oxford University, 1995):</p>
<blockquote><p>da contra-capa: &#8220;incrivelmente, descobrimos que algumas das propriedades do Universo que são esseciais para a existência de qualquer forma de vida fazem um papel chave na determinação de respostas psicológicas e religiosas para o Cosmos.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página viii: &#8220;a fascinação científica com o fruto da complexidade organizada em todas as suas formas deveria levá-los às artes criativas aonde se encontra m exemplos extraordinários de precisão estruturada.&#8221;</p></blockquote>
<p>Segundo, John Holland, um dos maiores matemáticos e simuladores de inteligência no cumputador de MIT, no seu livro, <em>Hidden Order: How Adaptation Builds Complexity</em> (Reading, Massachusetts: Addison-Wesley, 1995):</p>
<blockquote><p>Página 146: &#8220;a construção de modelos é a arte de selecionar aqueles aspectos dum processo que são revelantes para a pergunta sendo feita&#8230;esta seleção é guiada por gosto, por elegância e por metáfora; é uma questão de indução ao invés de dedução. A alta ciência depende desta arte.&#8221;</p></blockquote>
<p>Terceiro, o prêmio nobel, Steven Weinberg, no seu livro, <em>Dreams of a Final Theory</em> (New York: Pantheon Books, 1992):</p>
<blockquote><p>Página 17: &#8220;o progresso na física é frequentemente guiado por julgamentos que somente podem ser chamados de estéticos&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 98: &#8220;acredito que a aceitação geral da relatividade geral se deve em grande parte à atração da teoria em si - em síntese, à sua beleza.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 104: &#8220;cientistas e historiadores da ciência já há muito tempo desistiram da perspectiva antiga de Francis Bacon, que as hipóteses científicas deveriam se desenvolver pela observação patente e sem preconceito da natureza.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 149: &#8220;não somente nosso julgamento estético é um meio para chegar às explanações científicas e julgando sua validade - f<em>az parte daquilo que queremos dizer por uma explanação</em>.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>Página 219: &#8220;o alvo da física no seu nível mais fundamental não é somente descrever o mundo mas <em>explicar </em>por que ele é do jeito que é.&#8221;</p></blockquote>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Portanto é tanto pelo interesse científico - explicar por que o mundo é do jeito que é - quanto pelo interesse da fé bíblica - que de grosso modo incentiva e apoia a investigação cientifica, que prefiro ver a fé e a ciência como gêmeos, ou para diminuir o exagero, pelo menos como irmãos. Mas ainda não falamos dos métodos e muito menos das conseqüências dos dois paradigmas que tanto os distinguem. Quem sabe, tanto Rubem Alves quanto eu, no fim, temos a razão e devemos ver os agentes da fé e da ciência, isto é os religiosos e os cientistas como lobos gêmeos, embora criados separadamente.</p>
<p><strong>Passagens bíblicas para meditação:</strong></p>
<ul>
<li>Salmo 25.1-5</li>
<li>Provérbios 1.7; 2.1-6; 23.23</li>
<li>Daniel 2.20-21</li>
<li>João 14.6</li>
<li>Romanos 12.1-2</li>
<li>Filipenses 4.8</li>
</ul>
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		<title>Novo livro: O evangelho e a cultura</title>
		<link>http://missao.info/2008/03/19/novo-livro-o-evangelho-e-a-cultura/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 16:14:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[preparo  missionário]]></category>

		<category><![CDATA[recursos  missionários]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="350" ><param name="src" value="http://www.lulu.com/author/widgets/msf/ministorefront.swf?theme=7&#038;showThumbnail=true&#038;showDescription=true&#038;showTitle=true&#038;widgetName=tim+carriker%27s+Storefront&#038;luluID=2139667&#038;lang=en_US&#038;version=20080318171841" /><param name="wmode" value="transparent"><embed src="http://www.lulu.com/author/widgets/msf/ministorefront.swf?theme=7&#038;showThumbnail=true&#038;showDescription=true&#038;showTitle=true&#038;widgetName=tim+carriker%27s+Storefront&#038;luluID=2139667&#038;lang=en_US&#038;version=20080318171841" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" wmode="transparent" ></embed></object></p>
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		<title>Por uma visão mais ampla da missão</title>
		<link>http://missao.info/2008/03/18/por-uma-visao-mais-ampla-da-missao/</link>
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		<pubDate>Tue, 18 Mar 2008 11:04:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[Editorial publicado no jornal, O Estandarte, ano 116, número 2, fevereiro de 2008, p.2
pelo Rev. Gerson Correia de Lacerda
É interessante analisar o texto bíblico que narra o primeiro milagre realizado por Jesus. Está registrado no evangelho de João. Jesus foi a uma festa de casamento em Caná da Galiléia. Durante a celebração, faltou vinho. Jesus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Editorial publicado no jornal, <em>O Estandarte</em>, ano 116, número 2, fevereiro de 2008, p.2</p>
<p>pelo <strong>Rev. Gerson Correia de Lacerda</strong></p>
<p>É interessante analisar o texto bíblico que narra o primeiro milagre realizado por Jesus. Está registrado no evangelho de João. Jesus foi a uma festa de casamento em Caná da Galiléia. Durante a celebração, faltou vinho. Jesus resolveu o problema, transformando a água em vinho. Dessa maneira, a festa continuou e não precisou ser encerrada antecipadamente.</p>
<p>Após narrar o milagre de Jesus, o evangelho de João registra as seguintes palavras: <em>Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele</em> (Jo 2.11).<span id="more-202"></span></p>
<p>Fica muito claro que, com o milagre da transformação da água em vinho, Jesus deu início a seu ministério terreno. Providenciando a solução de um problema para que uma festa tivesse continuidade, Jesus começou a cumprir a sua missão. Em outras palavras, Jesus não deu início ao cumprimento de sua missão pregando um sermão ou curando enfermos. Jesus não começou a cumprir sua missão ensinando discípulos ou alimentando uma multidão faminta. Ao contrário, ele começou a desempenhar sua gloriosa missão terrena numa simples festa de casamento, fazendo um milagre para que uma festa não terminasse antes da hora.</p>
<p>Isso deve nos fazer pensar a respeito da amplitude da missão de Jesus! Alguém poderia questionar: o gesto de providenciar vinho numa festa de casamento fazia parte da missão de Jesus? Garantir o prosseguimento de uma celebração integrava o rol de suas atribuições?</p>
<p>O primeiro milagre de Jesus é revelador. Mostra a enorme amplitude de sua missão. Dela faziam parte a cura de enfermos, a pregação de convite ao arrependimento e o ensino a respeito do Reino de Deus. Porém, todos esses importantes não a esgotavam. A missão de Jesus era muito mais ampla. Incluía até a celebração. Por isso, Jesus começou a cumpri-la providenciando um milagre para que uma festa tivesse continuidade.</p>
<p>Em fevereiro, no dia 28, a IPI do Brasil comemora o Dia Nacional de Missões. Foi no dia 28/2/1856 que nasceu o Rev. Caetano Nogueira Júnior, missionário do sertão brasileiro. Em março, durante todo o mês, nossas igrejas estarão em campanha, levantando recursos para a construção do templo de Rio Branco, no Acre.</p>
<p>Esta é uma ótima oportunidade para refletirmos a respeito da missão da igreja. Precisamos aprender com Jesus a ter uma visão mais ampla a respeito dela. O fato é que, com freqüência, temos uma compreensão muito limitada sobre o papel que temos de desempenhar em nosso mundo.</p>
<p>Nesta edição de O Estandarte, há um pequeno texto, muito singelo, escrito pelo Presb. Eli Teixeira de Lima, tesoureiro do Presbitério Sul de São Paulo, intitulado &#8220;Coisas que acontecem&#8221;, que é profundamente inspirador. Trata-se do relato de uma experiência corriqueira. Narra o Presb. Eli que, ao entrar num ônibus repleto de conciliares da Assembléia Geral da IPI do Brasil, ele cumprimentou o motorista do veículo. Este ficou muito surpreso e exclamou: &#8220;Puxa! É o primeiro que me cumprimenta!&#8221;</p>
<p>Todos os conciliares de nossa igreja dentro do ônibus estavam ali no cumprimento de sua missão. Entendiam, porém, que sua missão se resumia em participar da reunião da Assembléia Geral. Esqueciam-se de que sua missão incluía também um simples gesto de simpatia dirigido a um cidadão do mundo.</p>
<p>Deus abençoe a nossa igreja a fim de que abra seus olhos para ter uma compreensão abrangente da amplitude de sua missão.</p>
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		<title>Uma perspectiva cristã da ecologia</title>
		<link>http://missao.info/2007/10/16/uma-perspectiva-crista-da-ecologia/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Oct 2007 17:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Timóteo Carriker</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[Extensa reflexão do Rev. Paulo Damião, com muitas citações de autoridades na área, de 22/08/2007:
Para se estabelecer uma Perspectiva Cristã da Ecologia, podemos usar a terminologia que, em geral, é utilizada quando se trata do assunto: Mandato Cultural.
O MANDATO CULTURAL
1. Definições
Entende-se como mandato cultural, a primeira ordem dada por Deus, à raça humana, logo após [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Extensa reflexão do <strong>Rev. Paulo Damião</strong>, com muitas citações de autoridades na área, de 22/08/2007:</p>
<p>Para se estabelecer uma Perspectiva Cristã da Ecologia, podemos usar a terminologia que, em geral, é utilizada quando se trata do assunto: Mandato Cultural.</p>
<p>O MANDATO CULTURAL</p>
<p><strong>1. Definições</strong></p>
<p>Entende-se como mandato cultural, a primeira ordem dada por Deus, à raça humana, logo após o ato da criação. Ainda no Éden e bem antes da queda, o ser humano, homem e mulher, criados por Deus, foram envolvidos pelo Criador em algumas tarefas e funções, especialmente, a de estabelecer regras para sua sobrevivência no relacionamento pessoal, interpessoal, com as demais criaturas e com toda a natureza.</p>
<p>C. René Padilha, teólogo latino-americano, assim define o mandato cultural :</p>
<blockquote><p>O homem é a imagem de Deus, porque o representa e está investido de sua autoridade. O Deus, ao qual o homem se parece é aquele que cria o universo e os seres viventes por meio de sua palavra, mas, imediatamente, faz uma imagem de si próprio e o coloca no mundo como seu representante. É o Criador que implanta no Homem sua própria criatividade e faz dele seu legítimo representante, confiando-lhe a mordomia de sua criação. Ao Homem, como sua imagem, seu representante, Deus dá faculdade de reproduzir-se e confia a mordomia do mundo. A tarefa humana fundamental é o governo da realidade criada, em representação a Deus e sob sua autoridade. Esse é o Mandato Cultural, em cujo cumprimento o ser humano manifesta, efetivamente, que é Imago Dei. O Homem completo, como ser somático e espiritual, assemelha-se a Deus porque a ele foi confiada a mordomia da criação. Nisso se radica a base da responsabilidade humana no uso e cuidado dos recursos naturais, bem como, no desenvolvimento científico e tecnológico.</p></blockquote>
<p>Para J. Stott, teólogo britânico, o Mandato Cultural se estabelece em três afirmações legítimas :</p>
<blockquote>
<ol>
<li>Deus deu ao homem domínio sobre a terra. Assim, pois, desde o princípio, os seres humanos foram dotados de uma dupla unicidade: têm a imagem de Deus (que compreende qualidades racionais, morais, sociais e espirituais que tornam possível nosso conhecimento d&#8217;Ele), e exercemos domínio sobre a terra e suas criaturas. De fato, o caráter único do domínio sobre a terra se deve ao caráter único da nossa relação com Deus.</li>
<li>Este domínio é corporativo. Ao exercer o domínio recebido de Deus, não se cria os processos da natureza, senão que se coopera com eles. Neste sentido é um senhor, de acordo com o propósito de Deus e seu mandato. Porém, também, é um filho em sua dependência última da providência paterna de Deus, que é quem lhe dá a luz do sol, a chuva e estações frutíferas do ano.</li>
<li>Este domínio é delegado e portanto, responsável. O domínio que exercemos sobre a terra, não nos pertence por direito, senão, somente por favor. A terra nos &#8220;pertence&#8221; não porque a criamos nem porque somos seus proprietários, senão, porque seu Criador no-la tem confiado para dela cuidar.</li>
</ol>
</blockquote>
<p>Timóteo Carriker, missionário e missiólogo no Brasil, assim define o mandato cultural:</p>
<blockquote><p>A imagem de Deus imputada no homem, a de &#8220;reinar&#8221; ou &#8220;dominar&#8221;, que é constatada em Gênesis 1.26, é elaborada logo depois nos versículos 27 e 28. O versículo 27 esclarece que esta tarefa pertence ao homem no sentido genérico, isto é, ao homem e à mulher. Somente os dois juntos realizam a primeira ordenança de Deus, e nenhum dos dois só, é capaz de realizá-la (CARRIKER, 1992, p.23).<span id="more-140"></span></p></blockquote>
<p>Derek Kidner, no seu comentário sobre Gênesis, assim se expressa:</p>
<blockquote><p>O domínio sobre todas as criaturas é &#8220;não o conteúdo, mas a conseqüência&#8221; da imagem divina, (citando Delitzsch). Tiago 3:7,8 assinala que, em grande parte, ainda o exercemos - com uma exceção fatal. Hebreus 2:6-10 e 1 Corintíos 6:3 prometem a exaltação do homem redimido a uma posição superior a dos anjos (cf. Ap.4:4). Em doloroso contraste, o nosso recorde humano de exploração daquilo que está à nossa mercê, prova a inaptidão dos seres decaídos para governar, estando nós mesmos desgovernados (cf. o tom sinistro de 9:2) (KIDNER, 1997, p.49).</p></blockquote>
<p>Quando se estuda sobre o papel do ser humano no mundo, nunca devemos fazê-lo partindo só do ponto de vista de um teólogo,  mas, também, observar como os cientistas analisam a sua função, no projeto de Deus. Um bom exemplo dessa visão, é o trabalho do engenheiro Paulo José F. de Oliveira, em seu livro: Uma Sinfonia para a vida. Assim ele se expressa:</p>
<blockquote><p>Não há como ocultar a intenção do texto: o homem foi colocado sobre a terra para exercer domínio e controle sobre todas as formas de vida! É interessante notar que o texto não diz que o homem tem o domínio sobre a Natureza, no sentido de que a ele foram entregues os rios, os mares, as terras e a atmosfera, mas, ao homem foi dado, tão somente, o domínio sobre a vida, permanecendo a Natureza, diretamente ligada ao Criador, enquanto base de apoio da vida. Sabemos que, para a tradição judaica o nome de qualquer coisa significa a essência dessa mesma coisa, de modo que o nome traduz o que a coisa é. Por isso, havia o cuidado em dar aos filhos nomes que tivessem um sentido bem determinado, em geral, ligado às circunstâncias do nascimento da criança. Também, dar o nome é um direito dos pais, o que significa uma confirmação de sua autoridade paterna. Portanto, ao permitir que o homem denomine o que foi criado, Deus reafirma a primazia do homem sobre a vida criada e os seus direitos de dominador. No versículo 5 de Gênesis 2, lemos que não havia, ainda, nenhum arbusto e nenhuma erva na Terra, em parte porque, até então, não havia chovido, mas também, porque &#8220;não havia homem para cultivar o solo&#8221;. Arbustos, ervas, árvores, sementes, frutos, chuva, enfim, toda a criação só se justifica se nela existir o homem para quem essas coisas foram criadas! Talvez, nenhuma outra passagem desta narrativa da criação seja tão marcante quanto esta, em sua capacidade de mostrar a intencionalidade da criação e a primazia atribuída ao ser humano. De forma concisa e extremamente clara, temos aqui indicadas as atividades básicas do ser humano: trabalhar e conservar a Natureza. Trabalhar para prover o sustento material de que carece para preservar a sua existência, produzindo toda a gama de serviços e bens que o estilo de vida de sua época indique como necessários.  (OLIVEIRA, 1994, ps.47, 51 e 57).</p></blockquote>
<p>Para o Dr. Ernest Lucas, cientista e teólogo, pós-graduado em Química pelas universidades de Carolina do Norte e Oxford, nos Estados Unidos, fazendo uma leitura teólogico-científica do livro de Gênesis, em seu oportuno livro: Gênesis Hoje, define assim o Mandato Cultural:</p>
<blockquote><p>As ordens de dominar a terra, em Gênesis 1:28, e de cuidar do jardim do Éden, em Gênesis 2.15, forneceram um estímulo religioso para o estudo científico da natureza. Isso era visto como uma forma de cumprir esses mandamentos. Aliás, alguns entendiam que era uma forma de cooperar com Deus (LUCAS, 1994, p.23).</p></blockquote>
<p>Através do Dr. Charles van Engen, professor adjunto de Teologia de Missões na Escola de Missões Mundiais do Seminário Teológico Fuller, tive acesso aos originais de um livro a ser lançado, de autoria do Dr. Arthur Glasser, professor na mesma escola e que popularizou a expressão Mandato Cultural, no meio teológico evangélico. No citado livro, intitulado <em>Announcing the Kingdom</em> (Anunciando o Reino), ele assim define o Mandato Cultural:</p>
<blockquote><p>As primeiras responsabilidades que Deus deu a Adão e Eva, tornam explicitas certas atividades que integram a verdadeira essência, como seres humanos. Essas atividades, primariamente, envolviam sua existência como seres sociais: vida a dois (procriação e fazer surgir a humanidade), trabalho (domínio, cultivo, guarda) e governo. Deus usou palavras chaves como: dominem, cultivem, preservem e coloquem nomes em todas as criaturas. Essas ordens, marcam o início de uma série de outras obrigações, ainda por vir: constituir família e comunidade, estabelecer a lei e a ordem, fazer surgir as culturas e civilizações e as preocupações ecológicas que se ampliam e se aprofundam, através das Escrituras. Através destas responsabilidades ou Mandatos, Deus chama todos os que trazem sua imagem e semelhança, para serem mordomos da criação, participando assim, com responsabilidade, nesta tarefa. Não é surpresa o fato de que, ao criar a raça humana, de acordo com sua imagem e semelhança, Deus transfere para os seres humanos seu próprio instinto criativo. Esse instinto criativo, é admitido como secundário e derivado, pois, é limitado pelo potencial de cada um e pela disponibilidade de material com o qual se possa expressar essa função criativa. Além disso, este instinto precisa ser descoberto, treinado e então usado como serviço em favor de outros e não para o próprio poder, benefício e deleite. Isso significa que, as possibilidades criativas devem ser mostradas claramente e colocadas, firmemente, para capacitar todo aquele que estiver no seu exercício, em benefício de outros. Somente fazendo isso, podemos ter certeza da preocupação de Deus pelo bem de todos. Isso nos confronta com a principal prioridade do Reino de Deus: O Mandato Cultural. Literalmente, implica que, enquanto a raça humana exerce controle sobre a terra, sob a direção de Deus e para Sua glória, encontrará, também, resistências.</p></blockquote>
<blockquote>
<p align="left"> Devido à existência da serpente que tentou Eva, devemos concluir que, desde a criação, os poderes começaram a usurpar o governo de Deus sobre a terra e que a intenção de Deus, na criação, era uma chamada decisiva e completa a um povo que deveria participar Dom Ele em sua restauração? De fato, a colocação de Adão no jardim, para administrá-lo e guardá-lo, toma um significado maior, quando compreendemos que a palavra hebraica para guardar (shamar) é um termo militar (GLASSER, ainda não editado, pg.47).</p>
</blockquote>
<p>Entretanto, nossa compreensão do que é o Mandato Cultural, não fica restrita, apenas, às definições acima, mas e sobretudo, pelo que nos é revelado nos relatos da criação, encontrados no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, o Livro dos Começos! É o que veremos a seguir.</p>
<p><strong>2. O Mandato Cultural nos Relatos da Criação</strong></p>
<p>Percebamos alguns detalhes deste mandato, no relato da criação:</p>
<blockquote><p>Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus, ainda: eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície da terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente. Isso vos será para mantimento. Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim para o cultivar e o guardar. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos. (Gn1:26-29; 2:7-8, 15, 19-20).</p></blockquote>
<p>É importante notar que, o presente conjunto de ordens, foi dado logo após a formação da raça humana:</p>
<blockquote><p>Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou: homem e mulher os criou (Gn 1:27).</p></blockquote>
<p>Este mandato, desde o seu início, implica nas principais áreas da vida humana, nas quais, seria necessário estabelecer uma cultura ou até, culturas, que projetassem um modo de vida. O homem e a mulher deveriam, juntos, administrar a experiência familiar e social que tinham diante de si (multiplicar, encher, dar nome); a responsabilidade econômica e ecológica (sujeitar, cultivar, guardar) e de governo (dominar).</p>
<p>Deste modo, afirma Carriker:</p>
<blockquote><p>Deus chama a humanidade para o papel de vice-regente sobre o mundo; todos devem participar, responsavelmente, nesta tarefa (CARRIKER, 1992, p.24).</p></blockquote>
<p>O Congresso Latino Americano de Evangelização III, CLADE III, promovido pela Fraternidade Teológica Latino-americana, em Quito, Equador, em 1992, teve como tema: Todo o Evangelho para o Homem todo e todo Homem, a partir da América Latina, e apresentou uma dinâmica de muita interação entre os preletores e os participantes. Os preletores, um ano antes, enviaram suas Ponências, ao escritório central, que as distribuiu, aleatoriamente, entre os congressistas, a fim de reagirem às colocações, sugerirem alterações, fazerem observações, etc. Como um dos congressistas, tive o prazer de reagir à palestra elaborada por Juan Stam, um dos grandes teólogos contemporâneos, cujo conteúdo, estava relacionado com a criação e o tema era: O Evangelho da Nova Criação.</p>
<p>Além de reagir à sua ponência, pude ouvi-lo com muita atenção, por ocasião do Congresso. Logo após a apresentação da palestra, iniciava-se um outro momento de interação: uma comissão, previamente convocada, reagia publicamente, apontando pontos fortes e fracos. Em seguida, era aberto para o plenário apresentar suas perguntas. Deste modo, Stam teve muito material para, melhorar ainda mais sua palestra, transformando-a no livro: O Evangelho da Nova Criação, que, foi de fundamental importância para a elaboração deste trabalho e, precisa ser lido por aqueles que desejam entender, com mais profundidade, a íntima relação entre a criação e a redenção. Assim, o trabalho exegético e hermenêutico, elaborado por Stam, sobre os textos de Gênesis 2 e 3, é extremamente necessário que seja analisado:</p>
<blockquote><p>Gênesis 2 e 3, descrevem Yahvé Elohim, como uma espécie de &#8220;Deus trabalhador&#8221;. Deus &#8220;formou&#8221; (yatsar) a Adão, &#8220;plantou&#8221; (natac) o jardim e &#8220;construiu&#8221; (banah) a Eva do osso de Adão. São três termos os mais humanos possíveis, usados constantemente para os ofícios correspondentes a oleiro ou escultor (Is.45:9; 64:8), agricultor e carpinteiro. Em particular, o verbo yatsar é usado para numerosos aspectos da ação salvífica de Deus: Deus &#8220;formou&#8221; a Israel (Is.43:21; 44:1s,24; cf.27:11). Também, natac, pode ter sentido salvífico: Deus &#8220;plantou&#8221; a Israel (Jer.2:21; 11:17; 31:28). Em outras passagens, o verbo banah se aplica a Israel. Deus promete a Davi construir uma casa e um trono (2 Sm.7.27; Sal.89.3s.); depois, promete reconstruir o povo no seu retorno do cativeiro (Sal.102:16s; 147:2). Este relato, no hebraico original, se caracteriza por uma série de jogos de palavras, tão simpáticos como significativos. Destes, três são especialmente importantes, segundo a evidente intenção do autor: 1.- Em 2:7, o autor diz que da terra (adamah), Deus fez adam; o jogo adamah/adam destaca, fortemente, a inseparável e essencial vinculação entre o ser humano e a terra, entre homos e humus. Aqui, temos uma forma muito diferente da do capítulo 1º.  Uma nova e dramática insistência na materialidade, que depois, vai caracterizar todo o plano da salvação; 2.- O segundo jogo de palavras, destaca a solidariedade misteriosa e profunda entre ish (varão) e ishah (varôa) (2:23), conforme homem/mulher, unidos, inseparavelmente, numa vida comum; 3.- Do nome &#8220;Eva&#8221;, se faz um jogo com a palavra &#8220;viver&#8221; (Gn.3:20 - Eva, javah; viver, jayah)(STAM, 1994, p.26).</p></blockquote>
<p>É ponto fundamental da fé cristã, confessar o mesmo que  o autor da Carta aos Hebreus, quando declara, introduzindo o maravilhoso texto do Heróis da Fé: &#8220;Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem&#8221; (Hb 11:3).</p>
<p>É com esta convicção que Morris afirma:</p>
<blockquote><p>No princípio criou Deus os céus e a terra&#8221; (Gn 1:1). Quando cremos de fato neste versículo, temos pouca dificuldade de crer em todo o restante da Palavra de Deus. Este único versículo refuta a todas as diversas pseudo-teorias inventadas pelos homens, acerca das origens. O ateísmo, inequívoca negação da existência de Deus, é falso porque Deus é. O materialismo, que pretende explicar todas as experiências da vida em termos de leis físicas e nega a necessidade de crer em Deus, como Causa eficiente de todas as coisas, é falso porque, aqui se vê que a matéria, um dia, começou a existir. O dualismo, ensinando que há dois princípios eternos, até mesmo dois seres divinos - um mau e outro bom - em oposição mútua, é falso porque, no princípio havia Deus somente. O panteísmo, que afirma que tudo é Deus e Deus é tudo, identificando Deus e a natureza, insistindo na eternidade da matéria e asseverando que a matéria pode, de si própria, originar vida, é falso porque, Deus estava fora de Sua criação. O politeísmo, que é culto a muitos deuses, é falso porque só havia um Deus criando. O evolucionismo, definido como a teoria de que, mediante processos naturais e por transformação gradual, todas as coisas derivam de materiais pré-existentes, é falso porque céus e terra foram criados (MORRIS, 1984, p.9).</p></blockquote>
<p>A confiança no relato da criação, determina nossa convicção no presente e, também, com perspectivas no futuro, pois, sempre quando Deus cria, Ele o faz com algum propósito bem definido. Biéler, chega a afirmar que, esta confiança é que poderá levar, o ser humano, à alguma melhoria de vida:</p>
<blockquote><p>Quem é este estranho ser que se chama homem? Donde vem e para onde vai? Por que meios ele pode conhecer-se a si mesmo com segurança? Se não sei quem sou, não há amor possível, o homem e a mulher se buscam sem jamais se encontrarem, o trabalho torna-se estupidez, a sociedade humana não pode ser edificada, não há nenhuma esperança em nenhum lugar (BIÉLER, 1970, p.9).</p></blockquote>
<p>É curioso notar que, por mais que cientistas queiram desatrelar ou afastar o relato da criação do seu mundo, fica mais difícil de se atender às demandas da sociedade atual. A própria racionalidade humana, só pode ser explicada pela crença de que há uma mente infinita, por detrás da natureza.</p>
<p>Ernest Lucas, citando a afirmação do  filósofo, prof. J.Mac-Murray, nos aponta para o fato de que, somente a mentalidade cristã pode gerar o nascimento da ciência como tal: a ciência é o filho legítimo de um grande movimento religioso e sua genealogia remonta a Jesus.</p>
<p>De maneira categórica, para expressar a importância de se crer nos relatos da criação e que, o pensamento cristão, foi fundamental para o progresso da ciência, como tal a conhecemos, o mesmo Lucas afirma:</p>
<blockquote><p>Com todas as grandes civilizações conhecidas no mundo, por que a ciência moderna nasceu na Europa Cristã no final da Idade Média? O conhecimento acerca do mundo e as técnicas em posse das outras culturas não eram suficientes em si para manter em andamento a ciência como a conhecemos. Os gregos, os hindus do Vale do Ganges, os árabes e os outros povos possuíam conhecimento e técnicas consideráveis, mas, nunca desenvolveram a ciência como um movimento progressivo. O que lhes faltava era a estrutura certa que pudesse dar confiança e motivação para as pessoas, fazendo com que o estudo científico florescesse. Até isso foi proporcionado pelo cristianismo. A investigação científica só encontrou solo fértil depois que a fé num criador pessoal, racional, realmente impregnou toda uma cultura, a partir dos séculos da Idade Média Alta. Essa foi a fé que forneceu uma dose suficiente de crédito na racionalidade do universo, confiança no progresso e valorização do método qualitativo - todos eles, ingredientes indispensáveis da investigação científica. A Bíblia ensina que o mundo foi criado por Deus a partir do nada, por um ato de livre vontade (Hebreus 11:3). A cada instante, o mundo depende de Deus para continuar existindo (Hebreus 1:3). Uma vez que Deus agiu livremente e não podemos ter a pretensão de adivinhar o que ele fez, o único meio que temos para fazer descobertas acerca da criação e entendê-la é o estudo pelo método da observação e da experiência. O Deus da Bíblia é um criador pessoal, racional, digno de confiança. Portanto, podemos esperar que sua criação seja ordenada e racional. Passagens como Gênesis 1 e 8:22 sustentam essa conclusão. Foi sobre esse fundamento que os primeiros cientistas desenvolveram o conceito de leis naturais e começaram a procurá-las (LUCAS, 1994, p.22-23).</p></blockquote>
<p>A posição cristã, inegociável, estabelece o agir, sempre, a partir de Deus! No princípio, Deus! (Gn 1.1). É o oleiro que faz do barro, o ser vivente, conforme afirma Von Allmen:</p>
<blockquote><p>Convém sublinhar o caráter fortemente teocêntrico desta narrativa. Nada acontece a não ser por Deus. No ápice da obra divina ergue-se o homem criado, reflexo visível do criador, príncipe do mundo da graça, da luz e da vida. O segundo relato transporta-nos a um deserto árido, inacessível à vida, imensa extensão de argila seca, mas, eis que da terra brota uma água regando a superfície do solo. Desta argila umedecida, Javé, como um oleiro, forma uma estatueta. Soprando-lhe ele nas narinas ela se torna ser vivente (VON ALLMEN, 1972, p.77).</p></blockquote>
<p>A origem, a essência e o propósito do homem, se tornam claros e especiais, nos relatos da criação, pois, em relação a todas as outras criaturas, as narrativas são menores e sem muitos detalhes. Entretanto, há uma especial atenção, um registro mais demorado e alongado.</p>
<p>Essa especial atenção dedicada à origem do homem serve como evidência de que o homem é o propósito e o fim, a cabeça e a coroa de toda a  criação.</p>
<p>Em primeiro lugar, há o especial conselho de Deus que precede a criação do homem. Ao chamar à existência as outras criaturas, nós lemos, simplesmente que, Deus falou e essa fala de Deus trouxe-as à existência. Mas, quando Deus está prestes a criar o homem Ele primeiro conferencia consigo mesmo e decide fazer o homem à Sua imagem e semelhança. Isso indica que, especialmente, a criação do homem repousa sobre a deliberação, sobre a sabedoria, bondade e onipotência de Deus.</p>
<p>Em segundo lugar, nesse conselho particular de Deus, a ênfase especial é colocada no fato de que o homem é criado segundo a imagem e semelhança de Deus, e portanto, possui um relacionamento com Deus, totalmente diferente daquele que as demais criaturas possuem.</p>
<p>Em terceiro lugar, não foi apenas o homem, nem apenas a mulher, mas os dois, em sua interdependência, que foram criados à imagem de Deus. Eles são portadores dessa imagem não somente para si mesmos, mas, também, para sua posteridade.</p>
<p>Em quarto lugar, a Escritura expressamente menciona que essa criação do homem à imagem de Deus, deve expressar-se, especialmente, em seu domínio sobre todos os seres vivos e na sujeição do Senhor de toda a terra. O homem é o rei da terra porque ele é o filho ou a geração de Deus. Ser filhos de Deus e herdeiros do mundo são duas coisas estreitamente relacionadas uma com a outra, inseparavelmente unidas na criação (BAVINK, 2001, p.199-200).</p>
<p>J. Stott, ao se deparar com os relatos da criação, encontra neles o que ele chama de Dignidade Humana, que se estabelece por três relações:</p>
<blockquote><p>A primeira é a nossa relação com Deus. Os seres humanos são seres de semelhança divina, criados a imagem de Deus, segundo Seu propósito. A imagem divina compreende aquelas qualidades racionais, morais e espirituais que nos separam dos animais e nos vinculam a Deus.</p></blockquote>
<blockquote><p> A segunda é a nossa relação uns com os outros. O Deus que criou a humanidade é um ser social, um Deus que compreende em si mesmo três pessoas, eternamente distintas. Portanto, Deus fez o homem varão e a mulher e lhes mandou procriar. A sexualidade foi criada por Deus, o casamento foi instituído por Ele e o companheirismo humano estava em Seu propósito, quando disse: &#8220;Não é bom que o homem esteja só. De maneira que, todas as liberdades humanas que chamamos de santidade do sexo, o casamento e a família, o direito de se reunir e o direito de ser respeitado, sem distinção de idade, sexo, raça ou condição, correspondem a Segunda categoria de nossa relação de uns para com os outros.</p></blockquote>
<blockquote><p> A terceira é nossa relação com a terra e suas criaturas. Deus nos tem dado o domínio, com o mandato de sujeitar e cultivar a terra fértil e governar sobre suas criaturas. De modo que, os direitos humanos que chamamos de direito ao trabalho e ao descanso, o direito de participar dos recursos da terra, o direito à alimentação, o vestir e o morar, o direito a vida e a saúde e a sua proteção, assim como a libertação da pobreza, da fome, da enfermidade, correspondem à terceira classificação da relação com a terra (STOTT, 1991, p.167).</p></blockquote>
<p>A experiência com Deus, parte do momento em que, não se crê n&#8217;Ele, apenas,  como Salvador e Senhor da nossa vida, mas e também, quando se crê que Ele é o Senhor do mundo, de todas as coisas. Para Huberto Rohden, em sua clássica obra: Filosofia Cósmica do Evangelho, esta fé é primordial, quando afirma:</p>
<blockquote><p>A alma do evangelho é uma experiência individual com Deus (que costumamos chamar de verticalidade), e que, se for genuína, terá necessariamente os seus reflexos sobre a vida ética e social do homem (apelidada freqüentemente de horizontalidade). Para que alguém tenha esta experiência de Deus, tem de criar em si mesmo um ambiente propício para a mesma, tem de realizar no seu interior uma espécie de atmosfera ou clima em que a delicada plantinha desse encontro com o Infinito possa brotar e medrar. Esse ambiente favorável consiste essencialmente em dois fatores básicos: fé e vida.</p></blockquote>
<p>Fé - deve o homem, antes de tudo, crer na realidade de um mundo invisível, embora ainda não tenha dele experiência direta. Esse crer é uma espécie de permanente atitude de humildade, sinceridade, receptividade, um senso de vacuidade ou nulidade do próprio ego físico-mental, unido à ansiosa expectativa e certeza de uma plenitude que lhe possa e dava advir de fora. Esse &#8220;de fora&#8221;, é uma locução provisória, porque, de fato, a plenitude divina não vem de fora do homem: vem do mais profundo abismo dentro dele, vem do íntimo centro do próprio homem, não desse homem periférico, físico-mental que ele conhece habitualmente, mas vem das incógnitas profundezas do seu Eu racional, espiritual, divino, que lhe é tão desconhecido e tão &#8220;longínquo&#8221; como a presença da energia nuclear dentro dum átomo não desintegrado.</p>
<p>Vida - fé vivida! A fé nunca passará a ser experiência direta de Deus se ficar no terreno meramente intelectual ou dogmático-ritual; é indispensável que ela se encarne na vida total do homem, ou, no dizer de Santo Agostinho, que se torne &#8220;fides quae per charitatem operatur&#8221;(fé que atue pelo amor). Quando o homem sintoniza toda a sua vida individual e social pelo conteúdo da sua fé, quando vive o que crê, como se já possuísse experiência direta de Deus, então essa fé concretizada em amor universal desabrochará em experiência imediata do mundo divino, porque encontrou ambiente e clima propício ao seu desenvolvimento. O crente torna-se, então, um ciente, um sapiente, um vidente. Já não crê simplesmente - sabe! A magnífica frase de Albert Schweitzer: O cristianismo é uma afirmação do mundo que passou pela negação do mundo, resume, lapidarmente, o que entendemos por Cristianismo cósmico.</p>
<blockquote><p> Quem afirma o mundo sem o ter negado, é materialista e idólatra.<br />
Quem nega o mundo sem ter a coragem de o afirmar, é asceta espiritualista.<br />
Quem afirma o mundo depois de o ter negado e continuando a negá-lo, internamente, pelo desapego, esse é cristão genuíno e integral, homem cósmico.<br />
O verbo se fez carne para que a carne se pudesse fazer Verbo&#8230;<br />
O espírito se materializou para que a matéria pudesse se espiritualizar&#8230;<br />
Quem adora o mundo é idólatra.<br />
Quem odeia o mundo é desertor.<br />
Quem ama a Deus no mundo e o mundo em Deus, é homem cósmico, crítico! (ROHDEN, p.9-12).</p></blockquote>
<p>A presença do Deus criador, ainda se faz necessário pois, por mais que a ciência se desenvolva, ela ainda continua devendo respostas às questões básicas da vida humana, questões estas que, são respondidas pela fé na Palavra de Deus e no Deus da Palavra.</p>
<blockquote><p>A ciência moderna contém teorias acerca da origem do universo, da origem do sistema solar e, claro, da origem da vida na terra. Todas elas expressas em termos puramente materialistas, sem nenhuma referência a Deus: será que isso significa que os cientistas provaram que o Deus criador é desnecessário? O máximo que o cientista pode afirmar acerca da teoria da origem do universo, por exemplo, é que ela explica como Deus, criou o universo; qual foi o mecanismo usado. Sem dúvida, ela não torna dispensável o Deus da Bíblia. Os cristãos acreditam num Deus que idealizou e criou a matéria, a energia e o tempo, além das leis e das forças fundamentais da natureza que regem a atividade deles. E mais, Ele continua mantendo-os em atividade. Ele era livre para criar o universo por qualquer processo que escolhesse, e o cientista é livre para estudar o universo para ver se consegue descobrir e entender esse processo (LUCAS, 1994, p.27).</p></blockquote>
<p>Para Bavink, um dos destacados teólogos calvinista, do final do século XIX, o conceito de Mandato Cultural, foi expresso na frase:</p>
<blockquote><p>Em Gênesis 2, é a ordem probatória dada ao homem!</p></blockquote>
<blockquote><p>Esta ordem probatória, tinha duas tarefas: primeiro - cultivar e preservar o jardim; segundo - comer livremente de todas as árvores, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A primeira tarefa define seu relacionamento com a terra, enquanto a segunda, define seu relacionamento com o céu. O homem só poderia cumprir sua missão com relação à terra, se ele não tivesse quebrado a conexão que o unia ao céu, ou seja, somente se ele continuasse a obedecer a Deus. Ele deveria servir a Deus e servir-se a si mesmo, enquanto servia à terra.</p></blockquote>
<blockquote><p>Trabalho e descanso, domínio e serviço, vocação terrena e celestial, civilização e religião, cultura e culto, esses pares caminham juntos desde o princípio. Eles pertencem e estão contidos na vocação do grande, santo e glorioso propósito do homem. Toda cultura, isto é, todo trabalho que ele realiza para subjugar a terra, seja através da agricultura, da pecuária, do comércio, da indústria, da ciência, ou de qualquer outra forma, é o cumprimento de um mandato divino. Mas, para que o homem, realmente, cumpra esse mandato divino, ele tem de depender e obedecer à Palavra de Deus. A religião deve ser o princípio que anima toda a vida e que a santifica, a serviço de Deus (BAVINK, 2001, p.203).</p></blockquote>
<p>Para Agostinho, o grande teólogo cristão do IV Século, suas noções de criação podem ser assim resumidas:</p>
<blockquote><p>Deus fez tudo por criação. O mundo, pois, não é antidivino. Porque Deus criou o mundo livremente, por isso está perto dele. Porque o criou do nada, existe uma distância. Tudo, pois, sem exceção é bom. Também a matéria pela criação ex nihilo. Esta é uma afirmação constante de Agostinho, que procura explicar esta criação, afirmando que Deus cria o mundo sem uma matéria prima preexistente sobre a qual agiria o ato criador. A criação tem a sua universalidade: o mundo tem começo, ele é temporal, não é eterno. A criação é obra da Trindade. Deus cria por amor. A criação é teofania, espetáculo de luz e de vozes que proclama a beleza de Deus, através de sua própria beleza. Para se ver a natureza de Deus é preciso a superação do materialismo e a elevação da humildade. Pergunta que é o que ama um homem, não perguntes pelo que sabe. Não existe nada mais querido a Deus do que sua imagem. Por isso, colocou ele tudo debaixo do homem e o homem debaixo de si. Queres que tudo o que Deus fez esteja aos teus pés? Fica debaixo de Deus&#8230; De tal maneira Deus ordenou as coisas criadas que colocou a sua imagem debaixo de si e tudo o mais debaixo dela (Sermão 313, A, 2, e 20, A, 2-3) O homem tem sido para Agostinho um mistério e um ser surpreendente. Os seres humanos são os mais preciosos da criação. Esta interpretação da criação, eminentemente antropocêntrica, é também, agostiniana. Devemos acrescentar que ele, o homem, é o guardião e agricultor da criação e, ao mesmo tempo e enquanto tal, totalmente dependente e orientado para Deus. Agostinho não concorda com os autores que defendem que o mundo criado por Deus desenvolve de um modo completamente autônomo para além de qualquer outra influência de Deus. Esta opinião leva a negar uma relação estável entre a criação e seu Deus (SILVA, 1996, p.32, 41,42,43).</p></blockquote>
<p>Na análise dos conceitos de Agostinho sobre a criação e a criação do homem, em especial, Romano se expressa:</p>
<blockquote><p>A essência vivente, isto é, a Vida, em seu estado complexo e emergente é o autor dos seis dias, em um processo que se expressa na matéria, para alcançar plena consciência dialogal com o Criador. A matéria, por conseguinte, não existe por si, mas é Vida em sinal. Os físicos diriam que é energia despontenciada. O Gênesis explica que esta vai constituir o caminho de conscientização da Vida. Na criação divina, a matéria tem, dessa maneira, uma colocação secundária. A matéria possui seus direitos próprios, mas só se estiver unida à Vida, portanto, com o Homem, que é o vértice da primeira história e é o princípio da Segunda. Ele é a continuidade da criação, o ponto máximo da individualização da essência vivente. Por isso, sua consciência está em constante evolução, e cresce e plena tensão, para chegar ao final, o Eu de Cristo que é o Eu da Vida. Mas, o homem, além da consciência, enquanto sinal da Vida, é também, intrinsecamente, matéria: é um e um corpo (SILVA, 1996, p.44).</p></blockquote>
<p>A figura de Deus como rei e regente de todo o universo, deriva-se do fato d&#8217;Ele ser o criador de todo o cosmos, bem como, vendo neste mesmo universo o grande palco da Sua atuação.</p>
<blockquote><p>Antes de ser o Deus de Israel, ele é o Deus do universo. Antes de ser o Senhor da Igreja, é o Senhor de tudo. (Mesmo o título usado no Antigo Testamento, Adonai, tem o sentido de &#8220;Senhor de tudo&#8221;, ou &#8220;Senhor absoluto&#8221;, em vez de Adoni, forma esta que significa &#8220;meu Senhor&#8221;, representando, por exemplo, um deus particular de um indivíduo ou de uma nação (CARRIKER, 1992, p.13).</p></blockquote>
<p>Na decisão divina de fazer o homem, percebe-se também que, ao ser criado no sexto dia, ele partilha da criação de outras criaturas, no mesmo dia, é feito do pó e alimenta-se como elas. Uma vez mais, a íntima relação entre a raça humana, a terra e o restante da natureza, se estabelece de maneira tácita, numa perspectiva e propósitos divinos de ressaltar uma grande interdependência entre ambos.</p>
<blockquote><p>O homem é retratado como ao nível da natureza e acima dela, em continuidade em relação a ela, e em descontinuidade. A nota de auto-comunhão e o plural majestático: Façamos, proclamam-no um momentoso passo; isto feito, a criação inteira está completa. Em comparação com os animais, o homem é colocado em posição à parte por seu ofício. Se a palavra imagem parece demasiado pictória, há o restante da Escritura para governá-la. Mas, de um só golpe ela imprime na mente a verdade central a nosso respeito. As palavras imagem e semelhança se reforçam mutuamente; não consta &#8220;e&#8221; entre as frases, e a Escritura não as emprega como expressões tecnicamente distintas, como querem alguns teólogos. Segundo estes, a &#8220;imagem&#8221; é a indelével constituição do homem como ser racional e como ser moralmente responsável, e a &#8220;semelhança&#8221; é aquela harmonia com a vontade de Deus, perdida na queda (KIDNER, 1997, p.47-48).</p></blockquote>
<p>Um outro destaque importante, que se encontra no texto bíblico, onde se percebe o Mandato Cultural, é que, este ato divino é precedido com um gesto abençoador de Deus: E Deus os abençoou. Assim, todas as vezes que o ser humano executa alguma parte do mandato, quer saiba ou não, quer concorde ou não, ele o faz debaixo da benção de Deus.</p>
<p>É neste momento, que se estabelece a transmissão de autoridade e de co-participação. Deus reparte da Sua autoridade com a humanidade e o faz com um desejo de estabelece-la como parceira, na administração do universo. A noção de bênção, em toda a Bíblia, não é aquela mais aceita pelo povo de Deus, em geral, quando se pensa só nos privilégios, mas, também, precisamos lembrar que, quando Deus abençoa, Ele o faz com propósitos. Assim, nesta primeira bênção que as Escrituras mencionam, vemos o conceito pleno de bênção que devemos ter em nossas mentes e corações: somos abençoados para abençoar!</p>
<p>Deus não apenas, conferiu uma dádiva, mas, uma função. É o ponto mais alto de toda a criação, pois, além de vê-la como muito boa, Deus, também, abençoa aqueles que dela vão cuidar.</p>
<p>Mathias Quintela de Souza, pastor presbiteriano independente, em um trabalho sobre o assunto em pauta, assim se expressou:</p>
<blockquote><p>Antes de criar o Homem, Deus cria todas as coisas, de acordo com o conselho da Sua vontade e pela palavra do Seu onipotente poder. Através do Espírito Criador, o Deus Triúno concedeu vida ao mundo e aos seres humanos que nele habitavam. Ele proclamou a bondade da criação. Como Criador, de Deus é a terra e a sua plenitude (SOUZA, 1991, p.2).</p></blockquote>
<p>Diante disso, podemos entender que ao ser humano, não compete criar, mas, transformar. Deus lhe concedeu todas as matérias primas, as já descobertas e as que, ainda, o serão, para serem exploradas e dominadas, sempre com o supremo objetivo de que tudo reflita a  Sua benção. Assim, todo o domínio deve ser sem dominação, pois, visa a Sua glória!</p>
<p>Ao dar o Mandato Cultural, o próprio Deus estabeleceu que este domínio deveria ser: conforme a Sua vontade, para a Sua glória  e para o bem de todos.</p>
<p>Uma vez mais, Souza nos ajuda a entender este projeto:</p>
<blockquote><p>Conforme a vontade de Deus - Deus criou todas as coisas com ordem e propósitos. Cabe ao homem discernir a ordem da criação e domina-la de tal maneira que, os desígnios de Deus sejam cumpridos. Pela pesquisa científica, é possível conhecer a natureza e sua leis. As técnicas para o domínio da natureza, devem ser estabelecidas pelas leis naturais. A liberdade humana fica dentro dos limites da ordem e do propósito da criação. A vontade de Deus não é arbitrária, mas, é boa, perfeita e agradável. Quando o homem administra de acordo com a vontade de Deus, ele se torna não só eficiente, como também, eficaz e efetivo no seu trabalho.</p></blockquote>
<blockquote><p> Para a glória de Deus - A indagação do propósito das coisas criadas, leva-nos à consideração do Supremo Propósito, ou, do fim último das coisas. Paulo, depois de ter expressado, quase em êxtase, a sua admiração pelas obras de Deus, concluiu: &#8220;Pois todas as coisas foram criadas por Ele, tudo existe por meio dEle e para Ele. Glória a Deus para sempre! Quando se perde este propósito de vista, o homem pode ser protagonista da história, mas, é levado a dizer, numa avaliação final dos seus esforços: ICABOD, isto é, não há glória.</p></blockquote>
<blockquote><p> Para o bem de todos - Já observamos que, em Gênesis, o mandato é dado ao casal, onde já se reflete um relacionamento de amor, amizade e solidariedade. A vida social reflete a imagem do Deus Triúno. Agindo em cooperação com Deus, o homem produz tudo o que tem necessidade, tanto em relação aos bens materiais, quanto aos valores espirituais e morais. A participação no trabalho, em todos os níveis, deve ser exigida levando em conta a capacidade de cada um; a distribuição deve levar em conta a necessidade de cada um (SOUZA, 1991, p.4-5).</p></blockquote>
<p>A relação mais íntima entre o ser humano e a natureza, se manifesta no momento da criação, pois, até então, todas as coisas criadas o foram,  pelo poder da palavra de Deus, mas, na criação do ser humano, usa-se o  pó da terra, estabelecendo-se daí para frente, uma relação de interdependência. A raça humana, precisa da terra para viver e a terra, precisa da raça humana, para produzir!</p>
<p>Este pequeno, mas, importante detalhe deve chamar a nossa atenção na compreensão da nossa tarefa de parceiros e mordomos de Deus. A parceria só se tornou possível, porque, à massa de barro, Deus sopra o fôlego de vida (Gn 2:7). Temos aí, os conceitos de imanência, pó da terra e de transcendência, fôlego de vida. O ser humano faz parte da natureza, mas,  transcende a ela, por ter sido criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26).</p>
<blockquote><p>Somos, portanto, feitos do mesmo material e frutos da mesma dinâmica cosmogênica que atravessa todo o universo. O ser humano, pela consciência, encaixa-se, plenamente, no sistema geral das coisas. Ele não está fora do universo em processo de ascensão. Encontra-se dentro, como um momento singular, capaz de captar a totalidade, de saber de si, dos outros, de senti-los e de amá-los no interior dessa totalidade desbordante (BOFF, 1999, p.116-117).</p></blockquote>
<p>Esta relação de interdependência, nem sempre compreendida e assimilada pelo ser humano, que, ao explorar a natureza não o faz, levando em conta este conceito tão importante, pois, não se deve fazer com uma mãe, irmã e amiga, aquilo que se tem feito com a terra, o mar, as águas, os rios, enfim, todo o cosmos.</p>
<p>Os conceitos sobre essa imagem e semelhança, vão se desenvolvendo dentro da dinâmica da própria revelação de Deus, da compreensão da Igreja em Sua Palavra e no aprofundamento dos conceitos terminológicos, como podemos observar em Von Rad:</p>
<blockquote><p>O motivo do homem, imagem de Deus, não implica em explicação alguma direta da natureza desta semelhança divina; seu centro de gravidade se acha, antes, na definição do fim para o qual ela foi comunicada ao homem. A dificuldade para nós está no fato de que o texto considera a simples declaração desta semelhança com Deus como suficiente e explícita. Podemos dizer a tal respeito, duas coisas: as palavras tzélém, &#8220;imagem, estátua, objeto esculpido&#8221; e demût, &#8220;semelhança, equivalência&#8221;- sendo que a segunda interpreta a primeira, salientando a noção de correspondência e de  semelhança - referem-se ao homem todo, não exclusivamente à sua natureza espiritual, mas também, e principalmente, à glória de seu aspecto corporal, ao kâdâr (&#8221;ornamento&#8221;, &#8220;superioridade&#8221;, &#8220;Majestade&#8221;) e ao kâvôd com que Deus o decorou (VON RAD, 1973, p.152).</p></blockquote>
<p>Assim elaborada, formada e colocada no Éden, lugar de delícias, a raça humana não só recebe um mandato, uma função, mas, também, tem do próprio criador, toda a capacitação e condições necessárias, para poder cumprir sua missão.</p>
<blockquote><p>Colocada no jardim, sugestiva e poética figura para o lar, a criação provê tudo o que é necessário para a subsistência humana (toda sorte de árvore boa para alimento), beleza (árvores agradáveis à vista) e tudo isto com liberdade (árvore do conhecimento do bem e do mal (SOUZA, 1991, p.3).</p></blockquote>
<p>Já vem de longa data, as diferentes opiniões sobre o que, de fato, significam as palavras imagem e semelhança. Como não é nosso objetivo, neste estudo, nos prolongarmos neste aspecto, ainda que ele seja de grande importância, devemos nos atentar para os reducionismos conceituais, que os referidos termos tiveram, ao longo da história. Chama-nos à atenção, as seguintes colocações:</p>
<blockquote><p>Maimônides ensina que o hebraico toar designa a forma típica de alguma coisa, mesmo quando produzida pelo trabalho do homem, aproximadamente no sentido da palavra &#8220;modelar&#8221;. Se tivermos cuidado em ler Maimônides sobre este ponto, e separar o ranço medieval e a forte influência da filosofia de Aristóteles, certamente poderemos concordar com suas sábias palavras. Ele recorda-nos que a nossa transitoriedade reside em nossa substância (adamah) e não em nossa forma (zelem), que não pode ser destruída. As fraquezas do homem são decorrentes da sua substância, ao passo que os seus méritos provêm da sua forma. Portanto, o conhecimento de Deus, a geração de idéias, o domínio sobre os desejos e as paixões, a distinção entre o que deve ser escolhido e o que deve ser rejeitado, tudo isso o homem deve à sua forma. Ao passo que comer, o beber, o sexo, as paixões e todos os vícios estão ligados à substância do seu corpo (OLIVEIRA, 1994, p.43).</p></blockquote>
<p>A responsabilidade humana diante de Deus, é muito grande, dado o alto valor de tudo o que foi criado, não apenas, pelo valor extrínseco, o que aparenta ser, mas, também,  pelo intrínseco, pois,  acima de tudo, é obra das mãos de Deus e do poder da Sua palavra, ao criar todas as coisas do nada. No princípio criou Deus todas as coisas, (Gn 1:1), o verbo criar, (bara&#8217;), tem o sentido de criar do nada, revelando o profundo e extraordinário trabalho de Deus, em criar, do primeiro ao sexto dia, uma quantidade enorme de coisas e ver que, tudo era bom (Gn 1:25). Só depois de ter criado a humanidade, é que Deus expressa o Seu grande contentamento com toda Sua obra:  E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom! (Gn 1:31). Notemos que:</p>
<blockquote><p>No primeiro capítulo (de Gênesis), o homem aparece como o vértice de uma pirâmide, é a última criatura feita por Deus. Das seis vezes que o termo hebraico bara&#8217; (criar) aparece no capítulo 1, ocorre três vezes no versículo 27: &#8220;E Deus criou o homem segundo sua própria imagem, criando-o à imagem de Deus, criando-os homem e mulher&#8221;. K. Bart vê o homem colocado aí como parceiro, interlocutor (Gegenüber) de Deus (CIMOSA, 1987, p.79 e 81).</p></blockquote>
<p>O poder extraordinário de Deus, se revela, não só por tudo o que criou, mas, sobretudo, pela maneira como o fez: do nada! De onde não havia vida, Ele a fez nascer; de onde só havia caos, Ele fez brotar o cosmos. Por isso, quando se tenta reduzir Deus, como um grande arquiteto do universo, é tentar diminuir Seu poder e Sua autoridade. Afinal, Ele  não só deu forma, como faz um arquiteto com a matéria prima existente, mas, e acima de tudo, Ele criou do nada, todas as matérias primas já conhecidas e as que ainda, não o são.</p>
<blockquote><p>O verbo bara&#8217;, aqui usado, só é empregado para a ação criadora de Deus. Como tal ação nunca é posta em relação com matéria preexistente sobre a qual se sobreporia, temos a concepção da criação &#8220;do nada&#8221; (VON RAD, 1973 , p.150).</p></blockquote>
<p>Uma vez mais, citamos  Souza:</p>
<blockquote><p>Tanto a vida como a missão do homem, tem a sua origem e garantia em Deus. Ele abençoa e ordena. Ele garante a vida e, ao delegar autoridade, continua responsável. A missão é, acima de tudo, &#8220;Missio Dei&#8221;, (Missão de Deus). O homem participa desta missão, mas tudo está centralizado em Deus e não no homem. A autonomia humana é possível por causa da liberdade, mas, as conseqüências são inevitáveis. Se o homem rejeita a Ordem Divina, ele cria a desordem humana. A autoridade exercida pelo homem, na administração de tudo o que Deus criou é delegada. Por isso, ele é responsável diante de Deus. A essência dessa autoridade é o amor e a sua forma de expressão é a justiça. Quando é exercida assim, ela glorifica a Deus e promove a bem comum (SOUZA, 1991, p.2).</p></blockquote>
<p>A Declaração de Oxford, sobre Fé Cristã e Economia, expressa sua compreensão sobre o assunto, com as seguintes palavras:</p>
<blockquote><p>Uma vez que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, para uma vida em comunidade, e não simplesmente, para que vivessem como indivíduos isolados, cabe-lhes exercer o domínio de que foram incumbidos de maneira responsável para com as necessidades da família humana total, inclusive as futuras gerações. (Boletim da Fraternidade Teológica Latino Americana, 1983, p.12).</p></blockquote>
<p>A releitura fundamental e necessária, que tem sido feita nos dias de hoje, nos relatos da criação, em Gênesis, tem levado o povo de Deus a entender, não apenas o projeto da criação em si mesmo, mas, também, suas conseqüências para a missão da Igreja, conforme afirma J. Stam:</p>
<blockquote><p>A teologia da criação deve desempenhar um papel decisivo na nossa visão do evangelho, da missão, da Igreja e do nosso discipulado fiel como primícias, aqui e agora, da nova criação (STAM, 1995, p.10).</p></blockquote>
<p>Curiosamente, acaba sendo sempre esquecido o sétimo dia, o sábado, no relato da criação. Devemos nos lembrar que, nessa idéia de descanso, passa, dentre tantos outros, o conceito de apreciação, de contemplação e de comemoração. Se a avaliação final ocorre no sexto dia, logo após a criação do homem, é no sábado que se realiza a festa da criação!</p>
<blockquote><p>É, pois, o sábado que abençoa, santifica e revela o mundo como criação de Deus. Curiosamente, na tradição teológica das igrejas do Ocidente, a criação, via de regra, é apresentada como &#8220;obra de seis dias&#8221;. O sétimo dia, o sábado, muitas vezes foi ignorado. Por isso, quase que continuadamente Deus era apresentado somente como o Deus criador. Deus não se entrega ao ócio. O Deus que descansa, o Deus que festeja, o Deus que se alegra com a sua criação passou para o segundo plano. Mas, mesmo assim, somente o sábado é a plenitude e a coroa da criação (MOLTMANN, 1992, p.23).</p></blockquote>
<p>É exatamente porque, a raça humana recebeu este Mandato, que, há esperança para a melhoria de vida de qualquer sociedade, através de mudanças culturais. Mesmo com a entrada do pecado no universo, ainda que, todas as culturas tenham sido atingidas com marcas diabólicas, há também, marcas divinas em todas elas, dando possibilidade para aquilo que Robinson Cavalcanti chamou de: A redenção da cultura:</p>
<blockquote><p>A leitura de Gênesis 1.28 nos leva a perceber que o mandato cultural inclui: 1) sexualidade, família, organização social - &#8220;Sede fecundos&#8221;; 2) uso dos recursos naturais, relação com o meio ambiente, economia - &#8220;enchei a terra&#8221;; 3) conhecimento, experimento científico, tecnologia - &#8220;sujeitai-a&#8221;; 4) Governo, legislação, justiça social - &#8220;dominai&#8221; (CAVALCANTI, 2000, p.46).</p></blockquote>
<p>No que concerne sobre as duas fontes que nos relatam sobre a criação, chama-se de código sacerdotal, a que se encontra em Gênesis 1:1-2; 4a; e de narrativa javista, a de Gênesis 2:4b-25.</p>
<blockquote><p>As duas representações, embora por caminhos diversos, chegam à criação do homem, isto é, do ser humano, homem e mulher. O mundo inteiro se submete ao homem, considerado o ponto culminante de toda a criação, pois, Gn 2, atinge, também, o apogeu na criação da humanidade, representada pela dualidade do casal. O homem é o centro em torno do qual Deus distribui suas ações (VON RAD, 1973, ps.148-149).</p></blockquote>
<p>É importante e crucial observar, nas várias maneiras de se entender as narrativas bíblicas da criação, a diferença fundamental no propósito da criação, em Gênesis, com alguns textos mesopotâmicos. Para estes, os homens são criados à imagem dos deuses, mas, a finalidade desta semelhança é de dar aos seres humanos, condições de realizar as tarefas dos deuses, para que estes possam se tornar seres de tempo livre, enquanto que, na tradição javista, revela-se como Deus confiou ao homem a tarefa de trabalhar, de continuar sua obra, mantendo-se presente e, mais do que isto, disposto a estabelecer comunhão profunda, através das conversar que aconteciam no jardim. O Deus que cria é o mesmo que quer ter intimidade com sua criatura e o Seu maior prazer é revelar-se, cada dia mais, com a obra prima da Sua criação.</p>
<blockquote><p>Não há dúvida de que, a narrativa sacerdotal da criação quer transmitir, não apenas conhecimentos teológicos, ma também, conhecimentos naturais. O que há de especial e difícil de perceber é que a teologia e a ciência natural aí se encontram tão intimamente entrosadas, que não há quase tensão entre elas (VON RAD, 1973,  p.155).</p></blockquote>
<p>A confiança que o criador demonstra na raça humana, se expressa, de maneira muito clara, ao repassar tudo o que havia criado para às mãos da criatura que houvera feito com tanto e maior cuidado, beleza, carinho e mistério, se compararmos o ato da criação com os atos da fecundação e gestação, descritos por Davi, no Salmo 139:14, o modo assombrosamente maravilhoso como fomos formados!</p>
<blockquote><p>São dois os aspectos do trabalho confiado ao homem: o trabalho material (&#8217;abad) e um esforço por cuidar das coisas criadas (shamar). A criação é confiada ao homem como um dom, com o empenho de cultivá-la e protegê-la (CIMOSA, 1987, p.100).</p></blockquote>
<p>As discussões longas e já de bastante tempo, em relação aos textos do relato da criação, não se esgotaram e nem se esgotarão tão facilmente, pois, para muitos, os relatos não dão nenhuma base científica para se provar, se de fato, foi daquela maneira que tudo aconteceu. Entretanto, um cientista cristão assim se expressa:</p>
<blockquote><p>A necessidade existencial de ter uma percepção da origem do universo não se  prende aos aspectos científicos da questão, mas, está visceralmente ligada a estes últimos aspectos éticos e morais. Portanto, trata-se de um problema religioso e não científico. As Escrituras falam-nos a respeito de Deus e da alma do homem, de modo que devemos ler e interpretar estes vinte e cinco versículos de Gênesis como uma declaração acerca dos questionamentos existenciais do ser humano, e jamais como um tratado científico. Assim, se pretendemos explicar o primeiro capítulo de Gênesis à luz do que nos diz a Ciência, e se a nossa grande preocupação for obter uma concordância básica com o texto sagrado, então deveremos antes de tudo, decidir com qual Ciência queremos obter esse acordo, pois, como nos diz o Dr. Ernest Lucas, &#8220;se a nossa interpretação da Bíblia concorda, plenamente, com a Ciência moderna de hoje, é quase certo que não vai concordar com a Ciência moderna de amanhã&#8221;. Por esta razão, tenho a convicção de que o texto de Gênesis 1 não foi escrito para ser compreendido à luz do que a Ciência tenha para nos dizer, seja qual for o estágio da Ciência a que nos referimos. A sua mensagem não depende de um conhecimento científico específico, nem o efeito que ela deve gerar em nosso espírito sofre qualquer influência do que a Ciência possa saber ou deixar de saber, a respeito da criação do universo e da Terra. O que eu tenho aprendido é que o texto fala por si mesmo, sempre que sabemos ouvi-lo. O que ele nos diz está situado numa outra esfera do conhecimento, de modo que ele convive, perfeitamente, com o que a Ciência informa, seja ela que Ciência for: a de hoje, a de ontem ou a do futuro. A primeira coisa que podemos aprender é que a Natureza não é o resultado de processos aleatórios que operam ao acaso, mas, que ela existe por causa de uma decisão de Deus. É o pensar de Deus que traz à existência as sucessivas etapas da Criação. É importante observar que, ciente do seu espaço, em momento algum o texto bíblico atreve-se a invadir os domínios da Ciência, e põe-se a explicar os mecanismos e os fatos bioquímicos e biológicos que foram empregados para que esse suporte material da vida, viesse a concretizar-se. No entanto, esquecendo os limites do seu espaço, muitos cientistas querem convencer-nos de que a vida surgiu por obra e graça do acaso. Flagrante invasão de domicílio alheio! (OLIVEIRA, 1994, p.25, 27, 30 e 31).</p></blockquote>
<p>Se fossemos enumerar o pensar de Deus, poderíamos faze-lo da seguinte maneira: 1- A Natureza é intencional, é uma obra deliberada. 2- A Natureza é a expressão da vontade de Deus. 3- A Natureza é revestida de racionalidade, já que é resultado do pensar de Deus. 4- A Terra é um sistema destinado a fornecer o suporte imediato da vida -  tudo nela foi preparado, para dar condições à existência humana. 5- A vida tal como se apresenta nos seres humanos, representa o ponto de mais alta complexidade, em todo o processo da criação.</p>
<p>Oliveira, nos ajuda a aprofundar nossa reflexão:</p>
<blockquote><p>Uma correta visão do mundo, com base religiosa, é uma concepção do homem como ser dotado de faculdades racionais e de autoconsciência, que o diferem do restante da Natureza, e lhe conferem atributos e problemas que os outros seres vivos não têm. No âmbito da narrativa da Criação, vamos encontrar três textos em que esta concepção do Homem é apresentada e detalhada, com uma amplitude como não se encontrará em nenhuma outra parte das Escrituras. A narrativa é rica em detalhes e em conteúdos; a primeira idéia que o texto passa é a certeza de que o homem é o final de uma longa cadeia criativa: do inanimado para a vida, da vida vegetal para a vida animal, e desta para o homem. Deus encontrou o ponto terminal de sua atividade criativa: com o homem o mundo está completo. O homem é um ser que se define através de uma equação única: &#8220;argila do solo&#8221; + &#8220;hálito de vida&#8221; = homem (&#8221;ser vivente&#8221;). Desta forma bela e simples, o texto sagrado exprime a dicotomia básica do ser humano, a sua eterna divisão entre o material (o imediato, o visível, o físico, o biológico) e o espiritual (o transcendente, o eterno, o divino). O homem é um ser vivente, exatamente porque, é capaz de compartilhar essas duas esferas da realidade, e ele jamais poderá ser completamente feliz e realizado se abandonar qualquer uma dessas esferas a que está vinculado. Devemos lembrar que, depois do homem nada se cria. Depois do homem vem o repouso de Deus (OLIVEIRA, 1994, p.39-41)!</p></blockquote>
<p>A própria concepção de uma antropologia teológica, deriva-se não só pelo fato, da raça humana ter sido criada por Deus, mas, também, de ter sido feita Sua parceira.</p>
<blockquote><p>A ação criadora de Deus, chega ao seu clímax, com a criação do homem, &#8220;imagem de Deus&#8221;. Basta assinalar que, o encargo conferido ao homem (representar o criador enquanto à sua imagem; exercer em  seu nome um domínio senhorial e tarefas de governo sobre o resto da realidade criada) outorga à doutrina criacionista bíblica, um caráter de novidade revolucionária; o mundo saído das mãos de Deus não é uma magnitude fechada e concluída; agora, passa às mãos do homem para que ele o aperfeiçoe e dirija até o fim. Gn 1, resume, prodigiosamente, o discurso sobre o todo e o discurso sobre as partes, a expansão temporal de tudo (do primeiro ao sétimo dia, (do próton ao éschaton), e sua expansão espacial (do céu à terra e aos abismos marinhos). Nenhuma outra cosmogonia é tão globalizante quanto essa. Fora deste grandioso afresco, só nos resta a totalidade em fragmentos. E, mais do que nunca, hoje, quando a especialização crescente das ciências naturais pode oferecer apenas retalhos de um mundo fragmentado, e quando a tarefa de recompor a unidade é chamada de missão impossível, em certos círculos acadêmicos. O falar englobante acerca do todo, confirmar-se-á, vigorosamente, na cristologia cósmica do Novo Testamento (LA PEÑA, 1986, p.35 e 37).</p></blockquote>
<p>Desafiadoras, são as palavras de Freire-Maia, doutor em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao comentar nossa participação no projeto de Deus:</p>
<blockquote><p>Nós estamos presentes no ato da criação. Ela está acontecendo agora. Nós a vemos assim como vemos os desígnios de Deus. Não somos, apenas, um de seus frutos, mas, também, seus contemporâneos, orando para que esta magnífica obra da criação, em evolução, prossiga através dos tempos, em direção à plenitude do Reino (FREIRE-MAIA, 1986, p.29).</p></blockquote>
<p>Além dos textos clássicos sobre a criação, há um outro, mencionado no Salmo 8, que mereceu a seguinte reflexão de Glasser:</p>
<blockquote><p>O Salmo 8 acentua a relevância do Mandato Cultural. Uma questão é levantada: &#8220;O que é o homem para que dele te lembres e o filho do homem para que o visites?&#8221; Em resposta, chama-nos a atenção para a majestade e dignidade de cada ser humano: &#8220;Tu o fizestes um pouco menor que Deus e o coroaste de honra e de glória. Tu deste para ele o domínio sobre o trabalho de suas mãos; tu colocaste todas as coisas sob seus pés, ovelhas e bois e as bestas feras do campo, os pássaros no ar, os peixes no mar e qualquer coisa que passe pelos oceanos.&#8221; A totalidade da existência humana e o mundo físico, ocorrem dentro de uma consideração do mandato cultural. Mas, não completamente. Podemos constatar que a Bíblia, repetidamente, fala contra o pecado em termos de injustiça, opressão e exploração. Por essa razão, é significante que o Mandato Cultural, que ordena que pessoas exerçam domínio sobre a terra, sejam sobre coisas inanimadas, exclua os seres humanos (GLASSER, ainda não editado, pg.48).</p></blockquote>
<p><strong>3. Características</strong></p>
<p>No estabelecimento deste Mandato Cultural, temos pelo menos, três características principais:</p>
<p><em>3.1. Características Gerais</em></p>
<p>Podemos compreender que, quando Deus estabelece que a natureza estaria à disposição do ser humano, para servi-Lo, todas as vezes que isso acontece, esta mesma natureza está glorificando a Deus, pois, está realizando o seu propósito e cumprindo o desejo divino. Também, a raça humana, quando desempenha sua função, está realizando o seu propósito e cumprindo o desejo divino. E assim, ambos, natureza e ser humano, glorificam a Deus, que é o fim principal não só da raça humana, mas, de tudo o que Deus criou. Por isso, o gênero humano precisa ser sábio na administração do bens que Deus lhe dá, para não abusar dela. Antonio Carlos Barro, citando Brigitte Kahl, diz:</p>
<blockquote><p>Se Adão é o mestre sobre a criação, ele é, também, e ao mesmo tempo, ligado à terra, como o seu servo (BARRO, citando artigo de B.K, entitulado: Humam Culture and the Integrity of Creation, 1987, p.130).</p></blockquote>
<p><em>3.1.1. Desenvolvimento, Fecundidade e Procriação</em> - na maioria das vezes, o imperativo: crescei, tem sido interpretado, ligando-o ao multiplicai-vos. Entretanto, pode-se analisá-los separadamente, dando ao primeiro, a noção de desenvolvimento, isto é, um desejo muito grande de Deus, para que, em todas as áreas da vida e em todos os relacionamentos, houvesse um crescimento. Este crescimento, deveria produzir um relacionamento tão profundo entre o macho e a fêmea, que, pudessem se relacionar sexualmente. Como conseqüência, surgem a fecundidade e a procriação. Assim como Deus havia feito, toda a natureza, com capacidade de gerar outros seres, fossem eles vegetais ou animais, caso contrário, a criação não se renovaria e necessitaria, sempre, de uma intervenção divina, também, à raça humana, foi dado este poder. Assim, não com a mesma intensidade e perspectiva, o ser humano, também, passa a ser um criador, ao gerar seus filhos. O crescei e multiplicai-vos, é um dos componentes fundamentais para a própria continuidade do mandato;</p>
<p><em>3.1.2. Domínio sobre a Terra, Mar e Ar</em> - tudo o que a raça humana necessitar, ela o encontrará numa dessas três fontes. O conhecimento científico, que muito tem se multiplicado nos últimos anos, é uma grande demonstração de obediência, para com o mandato cultural. Cada  nova descoberta, abre novas perspectivas para a sociedade;</p>
<p><em>3.1.3.    Domínio sobre os Animais</em> - não haveria como tornar a terra produtiva, só com o trabalho humano. Assim, ao se aperceber disso, ao longo do tempo, o ser humano, vem usando a sua capacidade de domar os animais, tornando-os parceiros na mesma parceria, dada por Deus;</p>
<p><em>3.1.4.    Domínio Gastronômico</em> - aí está um item, nem sempre tratado como &#8220;espiritual&#8221;, em nossos compêndios. Aprender a lidar e a aproveitar toda a criação de Deus, transformando-a em fonte de alimento, que não só produza sustento físico, mas, também, emocional e lúdico, é uma das maneiras mais interessantes e criativas, dentro da ordem divina. Faz-se necessário relembrar que, boa parte das alianças que Deus estabelece com o Seu povo, Ele o faz, usando a gastronomia, como sinal.</p>
<p>Estes domínios acima mencionados, caracterizam todo o trabalho produtivo do ser humano. Além disso, não é demais ressaltar que, todo o trabalho que o homem recebeu para fazer,  foi antes da queda, portanto, em nenhum momento podemos concordar e propagar que o trabalho foi uma maldição para a raça, como conseqüência da queda. Ao contrário, trabalho é bênção, é saúde, é produtividade, é realização e é subsistência.</p>
<blockquote><p>O recente documento de João Paulo II sobre o trabalho humano (Laborem Exercens), repetindo que &#8220;a Igreja tem a convicção de que o trabalho constitui uma dimensão fundamental da existência do homem sobre a terra&#8221;, demonstra que a fonte desta sua convicção são as primeiras páginas do Gênesis (CIMOSA, 1987, p.99).</p></blockquote>
<p>O único domínio que não se menciona, porque, não deveria nunca ser utilizado, é do ser humano sobre o próprio ser humano. A relação proposta por Deus era de parceria e não de exploração. Entretanto, o pecado gerou tal domínio, fazendo com que os outros, sejam usados com a finalidade de dependência e sujeição, entre os povos, como hoje se vê, mesmo com os pressupostos da globalização.</p>
<blockquote><p>Humanos não tem o direito de subjugar outros seres humanos. Somente Deus é seu legítimo senhor. Quando os seres humanos se recusam a viver no mundo de Deus, de acordo com Sua vontade, ele faz de si mesmo, através desse ato, um falso deus, com o direito de dominar e manipular outros seres humanos, sendo deles, senhor. Na realidade, as pessoas perdem sua humanidade quando se arrogam a si mesmas o papel que é de Deus. O ateísmo marxista não era mais ofensivo que a reivindicação de Marx: &#8220;O humano é o mais alto ser para o ser humano&#8221;. Tal dogma, encorajou os marxistas a crerem em sua autonomia. Eles se sentiram livres para agir sem a restrição que vem da submissão a Deus. Inevitavelmente, o sofrimento que eles causam, tem sido incalculável (GLASSER, ainda não editado, pg. 48).</p></blockquote>
<p>Com uma contribuição muito significativa, que nos ajuda a aprofundar nossa capacidade de reconhecer nossa relação com o próprio conhecimento sobre tudo e sobre todas as coisas, o grande teólogo Moltmann, enumera algumas outras características gerais:</p>
<blockquote><p>Um modo de pensar integrativo e integral avança neste sentido social em direção ao objetivo de um resumo multifacetário e, finalmente, universal. Com isso, sem dúvida, muda-se o interesse motor do (re) conhecimento: A gente não quer mais (re)conhecer para dominar, não quer mais analisar e reduzir para reconstruir, mas a gente quer (re)conhecer para participar e para ingressar nas relações recíprocas daquilo que vive. Um pensar integrativo e integral está a serviço de uma comunitarização entre pessoa e natureza, que promove vida. Sob &#8220;natureza&#8221; é entendido, aqui, tanto o meio-ambiente natural quanto a própria corporalidade. No momento em que for construída uma rede de reciprocidades, surgirá uma vida simbiótica. É necessário definir essa vida de forma diferente em vários níveis:</p></blockquote>
<blockquote><p> No nível jurídico e político, ela precisa ser encarada como uma &#8220;aliança com a natureza&#8221;, na defesa e equilíbrio dos direitos das pessoas e dos direitos da terra. A natureza não pode continuar sendo entendida como um &#8220;bem sem dono&#8221;.</p></blockquote>
<blockquote><p> No nível medicinal, a vida simbiótica deve ser definida como uma                                &#8220;totalidade psicossomática&#8221; da pessoa que de defronta consigo mesma. O corpo não pode continuar sendo visto como um &#8220;corpo&#8221;, que uma pessoa &#8220;tem&#8221;.</p></blockquote>
<blockquote><p> No nível religioso, ela tem de ser entendida como &#8220;comunhão de criação&#8221;. Criação não é de modo algum o mundo, que a pessoa humana deve &#8220;subordinar&#8221; a si. Um pensamento integrativo e integral está orientado pelo intuito de introduzir essa comunhão para dentro dessa aliança, dessa totalidade e de, após ter sido menosprezada, trazê-la novamente à consciência e aprofundá-la mais, de recuperá-la depois de ter experimentado destruições (MOLTMANN, 1992, p.20).</p></blockquote>
<p><em>3.2. Características Específicas</em></p>
<p><em>3.2.1. Cultivar o Jardim</em> - a idéia principal, extraída do verbo aqui usado, é a  de torná-lo produtivo. Se Deus havia criado frutos que produziam suas sementes, cabia ao ser humano, desenvolver métodos e maneiras de multiplicar aqueles primeiros frutos, ao longo de toda a extensão do jardim;</p>
<p><em>3.2.2. Guardar o Jardim</em> - neste caso, a idéia do verbo é: proteger o equilíbrio, derivando-se daí, toda responsabilidade ecológica, tão necessária em nossos dias. Alguns aspectos mais abrangentes sobre este assunto, serão tratados em outro momento. Entretanto, citamos aqui,  as palavras de Stott:</p>
<p>O trabalho não só tem como propósito a realização pessoal do trabalhador, senão também, o benefício da comunidade. Se pode supor que Adão não cultivava o Jardim do Éden, meramente para seu deleite, senão, para alimentar e vestir sua família. Ao longo da Bíblia, a produtividade do solo se vincula com as necessidades da sociedade. A consciência de que nosso trabalho é útil e valorizado, contribuí para aumentar a satisfação laboral (STOTT, 1991, p.185).</p>
<p><em>3.2.3. Obedecer no Jardim</em> - nota-se aqui, a consciência moral e ética da humanidade para com Deus. O aviso solene fora dado: Se pecares, morrerás (Gn 2:17)! O ser racional, capacitado por Deus deste a criação, tinha todas as condições de não pecar. As milhares de árvores à sua disposição, davam-lhe todas as possibilidades de vencer a tentação e de obedecer ao Criador.</p>
<p><em>3.3. Características Familiares e Sociais</em></p>
<p><em>3.3.1. Interdependência na Criação da Mulher</em> - um outro detalhe surge do texto da narrativa da criação, pois, assim como na formação do macho, Deus usa matéria prima já existente, a terra, no caso da formação da fêmea, também, Ele usa da mesma metodologia, formando-a de uma matéria prima já existente. Não propriamente do barro, mas, tirando-a do próprio macho, que, por sua vez, fora tirado da terra. Uma vez mais, a lição de parceria se manifesta, pois, tanto o homem como a mulher, vão precisar um do outro para viver e obedecer o desejo de Deus. O odontólogo Newton Carrijo, membro da 1ª IPI de Assis, SP, já falecido,  numa palestra sobre este texto, fez o seguinte comentário:</p>
<blockquote><p>Deus realizou a primeira cirurgia, o primeiro transplante, a primeira sutura e a primeira cirurgia plástica (CARRIJO, 1984, IPI de Martinópolis, SP).</p></blockquote>
<p>O Apóstolo Paulo, influenciado pela cultura da sua época, destaca um papel preponderante para o homem em relação à mulher, porém, reconhece esta relação de interdependência, destacando que: No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus (I Cor 11.11-12).</p>
<p><em>3.3.2. Declarações Afetivas</em> - algo tão fundamental para o bom viver da família e da sociedade, é o uso de palavras adequadas e elogiosas. Pode-se dizer que temos aí, a primeira declaração de amor de um homem para com uma mulher, mesmo que não pareça tão bela e que não seja tão poética, para os nossos dias, mas, no contexto, depois de observar entre os animais e não achar alguém que lhe preenchesse o vazio, Adão diz: Esta afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! (Gn 2:23);</p>
<p>Leonardo Boff, destacado escritor brasileiro dos nossos dias, demonstra a importância deste aspecto:</p>
<blockquote><p>Entramos na fase em que a vida sofre sua maior ameaça e, ao mesmo tempo, em que os indicadores apontam para um patamar mais alto de realização da vida: a emergência da noosfera e de uma única sociedade mundial. Por nooesfera, expressão criada por Teilhard de Chardin, entende-se a nova esfera humana, caracterizada pelo espírito de comunhão e de amorização entre os humanos e deles para com a terra. Trata-se de um processo em curso, cheio de contradições, recuos e desvios, mas que, apesar disso, mostra uma força de realização irreprimível (BOFF, 1999, p.117-118).</p></blockquote>
<p>Na concepção de Mesters, a formação dos dois sexos expressam a grandeza do criador, quando afirma:</p>
<blockquote><p>De maneira simples e popular, o autor faz saber que se deve ter respeito pela misteriosa atração dos sexos e pela unidade do matrimônio, no qual o homem e a mulher se completam mutuamente. Aquilo tem a ver com Deus. O sono profundo que Deus fez cair sobre Adão não sugere a anestesia para tornar a operação menos dolorosa. Eles pouco entendiam de cirurgia. Aquilo tem a ver com a concepção que tinham da ação criadora. Criar é o segredo de Deus. Só Deus o conhece e só Ele sabe fazê-lo (cf. Sl 138:q13-14). O homem não pode presenciá-lo. Por isso, dorme quando Deus cria (MESTERS, 1999, p.78).</p></blockquote>
<p>Com colocações teológicas precisas, mas, ao mesmo tempo, com uma moldura poética, Bavink assim definiu esta interdependência:</p>
<blockquote><p>Adão continuou sendo a fonte e cabeça da raça humana. A mulher não foi meramente criada ao lado de Adão, mas, foi criada a partir do homem (1Co 11.8). Assim, como o material utilizado para a criação de Adão foi tirado da terra, da mesma forma a costela de Adão foi a base para a vida de Eva. Assim, como do pó da terra o primeiro homem tornou-se um ser vivo ao receber de Deus o fôlego da vida, da mesma forma, da costela de Adão, a primeira mulher tornou-se um ser vivo pela onipotência criativa de Deus. Eva foi feita a partir de Adão e tornou-se um ser vivo independente de Adão. Ela relacionava-se com ele e ao mesmo tempo era diferente dele. Ela pertence à mesma espécie, mas, dentro dessa espécie, ela ocupa o seu próprio lugar. Ela é dependente e ao mesmo tempo é livre. Ela veio depois de Adão e foi feita a partir de Adão, mas deve sua existência exclusivamente a Deus. E dessa forma, ela ajuda o homem a cumprir sua vocação de sujeitar a terra. Ela é uma ajudadora, não uma amante ou muito menos uma escrava, mas, um ser livre, independente e individual, que recebeu sua existência não do homem, mas, de Deus, que deve prestar contas a Deus e que foi concedida ao homem como uma dádiva gratuita e imerecida (BAVINK, 2001, p.205).</p></blockquote>
<p><em>3.3.3. Manifestações Íntimas</em> - o texto nos informa sobre sexualidade, assunto que, também, será  estudado em outro momento. Mas, aqui, cabe ressaltar a intimidade sexual,  entre ambos, pois, estavam nus e não se envergonhavam;</p>
<p>Stam faz a seguinte afirmação:</p>
<blockquote><p>O ser humano, em sua corporalidade física e sua sexualidade, é a representação visível de Deus, na terra (STAM, 1995, p.23).</p></blockquote>
<p><em>3.3.4. Unidade na Diversidade</em> - mesmo sendo diferentes, no que tange ao gênero sexual, macho e fêmea, esta diversidade, quando unida, não só sexualmente falando, mas, através da aliança do casamento,  produz um dos maiores símbolos de unidade -  uma só carne (Gn 2:24)!</p>
<p>A análise feita por Kidner, nos ajuda a entender, não apenas, a unidade da raça na criação, mas, também,  como esta unidade vai ser e é fundamental para a aplicação e resgate do mandato cultural:</p>
<blockquote><p>As palavras homem e mulher, macho e fêmea, nesta conjuntura, têm implicações muito amplas, como Jesus demonstrou ao ajuntá-las com 2:24, para fazer dos dois pronunciamentos as colunas gêmeas do matrimônio (Mc 10:6,7). Definir a humanidade como bissexual é fazer cada parte um complemento da outra, e antecipar a doutrina neotestamentária da igualdade espiritual dos sexos (&#8221;todos vós sois um&#8221;, Gl 3:28) (KIDNER, 1997, p.49).</p></blockquote>
<p>Novamente citamos novamente Carriker:</p>
<blockquote><p>Confirmamos que, o objeto do domínio dado à humanidade é o mundo inteiro. Tanto os céus quanto a terra, mais de uma vez, são mencionados na passagem. Sua tarefa, será dominar e sujeitar o mundo que Deus criou. Assim, ele recebe uma certa realeza delegada por Deus. Esta capacidade, aparentemente (segundo a passagem), define a imagem de Deus no ser humano, a capacidade (e ordem) de dominar, sujeitar e ordenar. Assim, como Deus domina, governa e reina como Rei, o homem, sendo seu embaixador e enviado, também, deve reinar como um rei, sobre a criação de Deus. Foi com o fim de promover o reino de Deus, que ao homem se imputou a imagem de Deus. É por isso mesmo que, depois da queda, houve tanta desordem e abuso de domínio do ser humano afastado de Deus. Somente uma restauração, uma recriação e um renascimento dos homens e das mulheres, por meio da redenção conseguida na cruz do Calvário, podem recapacitar o homem à participar do reino de Deus e à anunciar, à todas as nações, a chegada deste glorioso reino (CARRIKER, 1992, p.15).</p></blockquote>
<p><strong>4. ECOLOGIA</strong></p>
<blockquote><p>As forças da natureza foram e sempre serão gigantescas, quando comparadas às nossas pequenas capacidades e habilidades, de modo que o contínuo progresso e domínio sobre essas forças, mesmo que se apresente aos nossos olhos como espetacular, jamais deixará de ser apenas um leve arranhão na superfície quase infinita dos problemas que ainda temos para desvendar. A natureza que recebemos de Deus é maravilhosa e imensa demais, complexa e fascinante como o próprio caráter de Deus, sempre infinita quando comparada à nossa humanidade perecível e transitória (OLIVEIRA, 1994, p.11).</p></blockquote>
<blockquote><p>Há, pelo menos, duas maneiras de estabelecermos as bases para a percepção da criação: através das Ciências Naturais e da Religião. Não que um negue o outro ou o descarte, mas, uma abordagem partindo da Religião, poderá, com muito mais facilidade, abarcar o conhecimento científico. A situação inversa, nem sempre, fará o mesmo. É preciso afirmar que, o texto de Gênesis 1, não foi escrito para ser compreendido á luz do que a ciência tenha para nos dizer, seja qual for o seu estágio (OLIVEIRA, 1994, p.27).</p></blockquote>
<p>A formação do universo, brota de uma intenção de Deus, de eliminar o caos, transformando-o em cosmos. Não foi um processo aleatório, mas, exigiu uma definição de Deus. Por sete vezes, aparece a expressão: E disse Deus! É o pensar de Deus que traz à existência as sucessivas etapas da criação. A natureza é uma obra intencional, é a expressão da vontade de Deus, ela é revestida de racionalidade, já que é o resultado do pensar de Deus e é um sistema destinado a fornecer o suporte imediato da vida.</p>
<p>A compreensão de que toda a criação foi originada em Deus, produziu belos hinos:</p>
<blockquote><p>Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos (Sl 19:1).</p>
<p>Ergo os olhos para os montes, de onde me virá o socorro? O meu socorro vem de Iahweh, que fez o céu e a terra (Sl 121:1).</p>
<p>Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas (Rm 1:20).</p></blockquote>
<p>Essa visão, conforme Boff, exige uma nova civilização e um novo tipo de religião, capaz de religar Deus e mundo, mundo e ser humano, ser humano e espiritualidade do cosmos (BOFF, 1999, p.10).</p>
<p>Ao olharmos com uma visão holística para o assunto da ecologia, precisaremos entender a ecologia integral, pois, o ar que respiramos não conhece fronteiras geográficas e menos ainda, ideológicas.</p>
<p>Podemos alistar as seguintes preocupações ecológicas: ambiental, social, mental e integral, (BOFF, 1999, p.26-31), ao que o autor, com muita felicidade, chama de: Ética da Vida!</p>
<p>Nesta grande interação, nasce um Sistema Aberto, defendido por Moltmann, ao comparar propostas anteriores:</p>
<blockquote><p>Nossa palavra criação, se refere ao processo criador e a seu resultado. Por isso, quando falamos de criação, no sentido teológico pensamos, não sem razão, em um estado originário do mundo e no começo de todas as coisas, concebendo-o como uma situação que se fechou de uma vez para sempre, que estava terminada e era perfeita. Para muitos, a história não começa até que o homem caia e não termina até que a criação se restabeleça na redenção. Segundo a exegese moderna do Antigo Testamento, esta concepção da criação é insustentável. Na perspectiva bíblica, a fé histórica na salvação, determina a fé na criação e, assim como a redenção determina a fé histórica na salvação, também, a escatologia determina a experiência da história da fé, na criação. A criação se inicia com: no princípio criou Deus os céus e a terra, e historicamente, terá seu fim na consumação dos tempos, exatamente no fim, por isso, ela se mantém como um sistema aberto ao futuro. Assim, a teologia tem que falar da criação não só no começo, mas, também, na história e ao final, isto é, olhando o processo total de criar, de Deus. Compreende o criar inicial, o criar histórico e o criar escatológico. A criação original aponta a história da salvação e ambas apontam para cima de si mesmas: ao reino da glória (MOLTMANN, 1979, p.147-150).</p></blockquote>
<p>A importância de olharmos para este Sistema Aberto, em relação à ecologia, permite-nos encarar as demandas do nosso tempo, com a responsabilidade de mordomos de Deus, conforme estabelecida no Mandato Cultural. A falta desta compreensão, tem nos levado à omissão e despreocupação com a própria vida.</p>
<p>Encontramos sistemas abertos, cuja organização interna permite galgar patamares mais altos de complexidade. Isto significa: cada sistema se encontra num jogo de interação, numa dança de troca de matéria e de energia, num diálogo permanente com o seu meio, do qual recebe, acumula e troca informações. As características dessa dinâmica são: auto-organização, adaptabilidade, reprodução e autotranscendência, como um sistema aberto a novas sínteses, a novos patamares de evolução e a novas formas de expressão (BOFF, 1999, p.113-114).</p>
<p>A própria compreensão do ser de Deus, na sua dinamicidade, vai-nos permitindo ampliar nossa posição em relação ao universo por Ele criado. Quando não se desenvolve a perspectiva trinitária do Ser de Deus, deixamos de enxergar uma série de oportunidades, nas, quais, poderíamos desenvolver a missão da Igreja.</p>
<p>Na salvação propriamente dita do ser humano, a economia da trindade se estabelece de maneira muito clara: o Pai planeja a salvação; o Filho executa o plano de salvação e o Espírito Santo aplica a salvação, no coração da pessoa.</p>
<p>Esta mesma economia se manifesta em relação à toda a natureza e a todo universo, criado pelas mesmas mãos que criaram a raça humana. Tudo o que o Pai criou, o fez em Cristo e tudo está sendo mantido pela ação do Es